segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 6 - Lagos Miñiques, Miscanti, Quebrada de Jere e Reserva de Flamingos

De: San Pedro de Atacama
Para: Lagos Miñiques, Miscanti, Quebrada de Jere (Toconao) e Reserva de Flamingos (Salar do Atacama)
Distância Percorrida: 285Km
Altitude Máxima do Dia: 4.228mts. nos Lagos Altiplânicos (Miscanti e Miñiques)

Comentários: Neste dia deixamos a manhã livre para quem quizesse descansar ou conhecer a cidade de San Pedro de Atacama. Segundo uma placa no local o município tem 1.908 habitantes. A cidade mantém sua rusticidade com ruas de terra e casas em adobe (tijolo de argila seco naturalmente ao sol), característica da arquitetura local.


Para os turistas a cidade apresenta estrutura hoteleira adequada, sem luxos e conforto. A maioria dos hotéis oferecem quartos com banheiros compartilhados. Os quartos possuem uma cama e banheiro, e só. Ar condicionado, frigobar, telefone e ventilador, nem pensar. Durante a noite, entre as 23:30hrs e as 06hrs da manhã a água é cortada em toda a cidade. Pudera, estamos no meio do deserto. As quedas de luz são freqüentes na cidade.

Além dos hotéis existem muitas agências de turismo, casas de câmbio e pequenos mercadinhos e lancherias. Não são difíceis de encontrar também lan-houses para acesso à internet. O difícil é encontrar vaga em alguma delas.

Aproveitamos a manhã para trocar dólares por pesos chilenos e também para agendar a viagem aos Geisers de El Tatio, onde iríamos no dia seguinte. Cumpridos estes afazeres conhecemos o museu, o antigo cabildo, a igreja (teto de madeira de cáctus) e o artesanato local. Tudo é muito próximo em San Pedro. O deslocamento tem de ser a pé até porque as ruas são estreitas (não tem lugar para estacionar) e o trânsito é um pouco complicado, cheio de ruas com mão única, o que faz uma simples ida ao posto de gasolina consumir em torno de 15min. de deslocamento.

Câmbio: Para quem está programando uma viagem à região sugiro tentar sair do Brasil já com a moeda dos países a serem visitados ou tentar sacar o máximo possível em caixas 24 horas onde a conversão é pela cotação oficial. Em San Pedro as conversões são US$ 1,00 = $ 490,00 ou R$ 1,00 = $ 262,00. Nos saques feitos com o Visa Electron trocamos R$ 1,00 por $ 281,00.
Em Atacama existe um caixa automático do Banco do Estado, mas pelo que percebemos não é possível sacar com o Visa nestes caixas, somente no Banco do Chile (encontramos um em Antofagasta dentro do Supermercado Jumbo).

Em San Pedro de Atacama não é comum encontrar quem aceite cartões de crédito, portanto o efectivo (dinheiro) é novamente necessário quase que para tudo.

Havíamos combinado de sair do Hotel para nosso passeio da tarde às 12hrs. Nosso destino seria os Lagos Miscante e Miñiques, Toconao e a Reserva de Flamingos (que fica no Deserto do Atacama).

Nos dirigimos diretamente para o Miscante e o Miñiques e deixaríamos o restante para a volta. São 116Km de San Pedro sendo que 96Km são de astalto (muito bom) e 20Km de rípio (estrada de terra). O visual nos Lagos Altiplanos, como são conhecidos, é absurdamente fantástico. Os lagos estão localizados a mais de 4.000 de altitude e ficam ao lado dos Cerros de mesmo nome. O Cerro Miscante tem 5.592mts de altitude e o Miniques tem 5.700mts. Emolduradas por uma extensa praia de areia amarelada, as lagoas são separadas por uma pequena faixa de terra; ao fundo, apresentam-se a cordilheira com alguns vulcões, compondo um cenário que mais parece uma bela pintura a óleo. Segundo o que os guias do parque nos comentaram, pela manhã, quando o sol bate diretamente nos lagos eles tornam-se um espelho e reproduzem com perfeição os cerros ao seu redor.


A Laguna Miscanti (foto acima) tem 15Km2. e "tiene recargas provenientes de la inflitracion de aguas lluvia de tipo subterrâneo y termal, además recibe recarcas lluvias durante los veranos. Su descarga es subterrânea y por evaporación. En los inviernos es posible ver su superficie completamente congelada".

A Laguna Miñiques (foto ao lado) tem 1,5Km2.

O trecho de estrada de rípio que encontramos ao nos deslocarmos para os lagos e também os relatos de brasileiros que encontramos no Atacama (de São Paulo e também de Cascavel) nos fez desistir de nossa idéia de retornar à Argentina pelo Paso Sico. Ficamos com pena de nossos veículos após o paulista comentar que após retornar a São Paulo teria de reformar seu Troller pois havia soltado todos os parafusos na viagem.

Após conhecermos os lagos voltamos até Socaire (início do asfalto, localidade com 128 habitantes) e após uma rápida volta no povoado fomos até a Reserva Nacional Los Flamencos localizada nas imediações do Salar do Atacama ou também conhecido Deserto do Atacama.

É interessante observar que ao longo da rodovia encontram-se vários canalizações de água em abundância.

O Salar de Atacama é um extenso lago salgado que secou, deixando uma superfície de sal de 3.200km2., o maior depósito de sal do Chile. Os flamingos ficam na chamada Laguna Chaxa. Na recepção do parque é passado um filme contando um pouco da história dos salares, dos vulcões, dos lagos, facilitando a compreensão acerca da geografia do lugar.




Da Reserva de Flamingos é possível avistar o Vulcão Láscar (foto ao lado), um dos mais ativos do Chile e que em sua última erupção em 1993 chegou a ser percebida no Rio Grande do Sul. Veja a matéria. O chile conta com 150 vulcões ativos, cerca de 10% do planeta. Todos eles encontram-se na Cordilheira dos Andes formada a mais de 65 milhões de anos.

Saindo da Reserva nos dirigimos para Toconao, localizada a 38Km de San Pedro e que conta com pouco mais de 1000 habitantes. A uns 500mts. da rodovia, pode-se visitar a Quebrada de Jere, um cânion fértil que rasga o deserto com paredes de mais de 20mts. de profundidade. Ao longo de um pequeno rio, há um curioso oásis com plantações de frutas. Encontramos uma simpática senhora no local que disse que há 40 anos não chove no local. O local é repleto de cavernas nos morros.
É muito interessante ver a forma de organização do povo neste local. A água é distribuída no vale em valos feitos com pedra e existem "comportas" para conduzir a água para o local desejado. Cada morador tem reservado para si um espaço pré-definido (lotes) onde ele planta o que quizer. No meio do deserto podem ser vistas uvas, damascos, figos, romãs, ... Só vendo para acreditar.

Chegamos à San Pedro por volta das 21hrs. neste dia.
Após feitos estes passeios fica claro que a beleza do local não está na cidade de San Pedro de Atacama. Esta é apenas uma cidade próxima que cede espaço aos viajantes para sua hospedagem. Os atrativos mais bonitos da região ficam sim ao redor de San Pedro, mas não necessariamente San Pedro é uma cidade que deva ser conhecida.


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Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 5 - De Tilcara à San Pedro de Atacama, passando por Purmamarca e Paso de Jama

De: Tilcara (ARG)
Para: San Pedro de Atacama (CHL)
Distância Percorrida: 439Km











Altitude Máxima do Dia: 4.820mts. - próximo ao Vulcão Tocos, 56Km antes de San Pedro de Atacama

Comentários: Saímos de Tilcara pela manhã após o saboroso café da manhã argentino (croisant com café). Chegamos em Purmamarca às 09:20hrs. Purmamarca é bastante conhecida pelo Cerro Siete Colores, uma belíssima montanha de faixas coloridas formadas por camadas de sedimentos acomodadas umas sobre as outras ao longo de milhões de anos. A imagem do Cerro é uma das mais divulgadas em cartões postais e folhetos turísticos, tornando-se um símbolo da região Noroeste. Um dos melhores pontos para observação se dá a uns 400mts. antes da chegada a Purmamarca vindo da ruta 9 (há um tronco deitado no chão com o nome da cidade). O melhor horário para contemplá-lo é de manhã, quando o sol incide sobre as pedras, deixando os tons avermelhados ainda mais fortes.



O artesanato de Purmamarca é bastante forte sendo o turismo a maior fonte de receita do local. Os preços são bastante convidativos e para auxiliar nas compras que são apenas em efectivo (pesos argentinos) há um caixa 24hrs ao lado da praça central permitindo saques com Cartão Visa Electron. Este caixa 24hrs é um ótimo ponto de apoio aos turistas visto que na maioria das cidades necessita-se dispender um tempo precioso para sacar dinheiro (filas, tempo até encontrar o cash, ...) e aqui ele fica bem no centro da feirinha.



Saímos de Purmamarca às 10:45hrs. após umas comprinhas básicas (nada comparado com as compras que lá fizemos na volta do Chile). Ocorre que os preços em Purmamarca são muito inferiores aos de San Pedro de Atacama.

Ao meio-dia atingimos os 4.200mts. de altitude na Cuesta de Lipan (estrada em forma de serpente, repleta de zigue zagues que sobe de 2.600mts até 4.200mts de altitude). Do alto podia-se ver o Vale Nevado del Chañi (5.896mts.) a 31Km de distância. Foi o único ponto da Cordilheira que conseguimos ver ainda com neve. Ficamos uns 30min. neste local apreciando a vista e percorrendo a pé o local.



Em seguida passamos pelas Salinas Grandes (antiga lagoa que secou e converteu-se numa enorme extensão plana com capa salgada de 1.500km2.) onde fizemos uma rápida parada para algumas fotos e reconhecimento da área.





Susquez: Paramos em Susquez para abastecimento. Existem 2 postos de combustível em Susquez e são a última opção antes de San Pedro de Atacama (269Km adiante). Para quem for ao Atacama recomendamos que encha o tanque neste local pois o combustível no Chile é mais caro do que na Argentina. Na Argentina o litro de Diesel custa em torno de R$ 1,40 e no Chile R$ 2,10.



Susquez está bem servida em termos de Hotéis. Vimos 2 novos ao lado da estrada com excelente qualidade. Paramos em um deles (Hotel El Unquillar) para fazer um lanche antes de continuarmos a viagem. A estrutura do Hotel é muito melhor do que a dos Hotéis que vimos em San Pedro de Atacama. A cozinha também é muito boa. Vale a parada no meio da viagem.



A cidade de Susquez não merece nenhuma atenção. Talvez seu único objetivo seja o de servir de base para a Aduana Argentina (somente para caminhões com carga) e para os postos de combustível. É realmente uma cidade que fica no meio do nada.





Ao longo da estrada é possível encontrar-se diversas propriedades que aparentemente vivem da agricultura e da pecuária. Novamente vários animais podem ser encontrados pela estrada.




Em seguida chegamos à Aduana Argentina. As pessoas que trabalham neste local são de San Salvador de Jujuy e tem turnos de 1 semana nesta Aduana. O atendimento é muito bagunçado e lento. Os controles de entrada e saída do país são feitos em planilhas de Excel. Levamos em torno de 30 minutos para nos liberarmos dos trâmites. Tivemos a sorte de não haverem filas neste dia.





60 Km adiante da Aduana chegamos ao Salar de Tara local que além do Salar é conhecido pela pedras enormes existentes no local. Nos desviamos um pouco do asfalto para registrarmos nossa passagem pelo local. Não faça o mesmo se não possuir veículo tracionado. A areia é fofa e é fácil de ficar atolado.
Não tardou muito e avistamos o Vulcão Licancabur que possui altitude de 5.914mts. e que pode ser visto de praticamente qualquer ponto da cidade de San Pedro de Atacama. O vulcão é um ótimo cartão postal da cidade. Chegamos em Atacama às 20hrs. e logo entramos na fila da Aduana Chilena. Aqui o atendimento é bem melhor do que na saída da Argentina. Todos são muito atenciosos, inclusive o Cristian, policial aduaneiro responsável pela revista dos veículos que entram no país. O Chile é um grande exportador de frutas e para garantir a qualidade exigida por seus compradores impôs barreiras fitossanitárias rigorosas para quem ingressa no país. Não é permitida a entrada de nenhum produto de origem animal ou vegetal. O que for encontrado no veículo é recolhido, inclusive aquele bumbo (com partes feitas de couro) que adquirimos em Tilcara. Tínhamos receio quanto à erva-mate mas a entrada com ela foi tranqüila.


Logo que nos liberamos fomos para o Hotel Don Raul no qual já tínhamos efetuado reserva.




Havíamos enfim chegado ao nosso destino, o Deserto do Atacama.








O Mal da Altitude

Por que a Altitude causa desmaios ?

Aventurar-se numa viagem em regiões de elevadas altitudes pode ser uma experiência interessante. Mas é importante ter cuidado. O organismo costuma não reagir bem às mudanças bruscar de ambientes como temperatura, pressão atmosférica e gravidade. A pressão atmosférica leva a uma diminuição do oxigênio circulante no corpo. Isso provoca efeitos como taquicardia e queda da pressão arterial.

Para suprir a carência de oxigênio o organismo reage aumentando a produção de glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigênio para os tecidos. Os efeitos duram até que essa readaptação ocorra.

Os efeitos da altitude:



  • taquicardia


  • desmaio por falta de oxigenação no cérebro


  • dor de cabeça


  • enjôos


  • tontura


  • dificuldade para respirar


  • fadiga


  • cansaço


  • hipotermia (perda de calor do corpo)


  • alteração da pressão arterial

Como se prevenir ?




  • Evite esforço físico desnecessário


  • Faça passeios em ritmo lento


  • Consuma bebidas alcoólicas com moderação


  • Mantenha-se bem agasalhado


  • Ingerir de 3 a 4 litros de água diariamente


  • Ao sentir o efeito da altitude pare onde está e espere até aclimatar-se. Não vá adiante quando não estiver sentindo-se bem

Medicamentos que podem auxiliar:




  • Contra dor de cabeça: Alivium, Dalsy, Tilenol, AAS


  • Contra náuseas e vômitos: Plasil ou Motilium. Evite o Dramin pois como ele causa sono a freqüência respiratória diminui e pode piorar a falta de ar.

Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 4 - De Salta à Tilcara, passando por Humahuaca

De: Salta (ARG)
Para: Tilcara (ARG)
Distância Percorrida: 300Km
Altitude Máxima no Dia: 2.992mts. em Humahuaca

Comentários: Neste dia saímos do Hotel um pouco mais tarde, 09:35hrs. após um rápido reconhecimento do centro da cidade e também uma visita à casa de câmbio que fica na esquina da praça central. Este é o lugar em que a conversão em dólar X pesos apresentou-se mais vantajosa.

Saindo do Hotel fomos até o Teleférico localizado no Parque San Martin. O teleférico parte do Parque San Martin, passa por cima da Calle Virrey Toledo (Av. de acesso à cidade) e chega ao topo do Cerro San Bernardo, localizado a 1.460mts. de altitude. É um passeio imperdível para quem passa por Salta pois dá uma visão de toda a cidade.




Em seguida partimos em direção à Humahuaca e Tilcara local em que descansaríamos à noite. Neste dia almoçamos em San Salvador de Jujuy (cidade com 1.300 mts. de altitude) em um restaurante bem indicado no Guia "O Viajante", o Chung King, que ao contrário do que o nome possa sugerir, não serve comida chinesa, mas, sim, pratos regionais. Na saída de Jujuy nos enrolamos e acabamos sendo "escoltados" para fora da cidade por um morador. Ocorre que a cidade é cortada por um rio (Rio Xibe Xibe) e são poucos os pontos de cruzamento de um lado para outro da cidade, tornando a cidade um verdadeiro labirinto. Vale ressaltar que na chegada em Jujuy também fomos guiados por um argentino. Este fato nos chamou a atenção pois deu a atender que o povo é bastante solícito com os turistas.

Saímos de Jujuy em direção à Humahuaca às 14:30hrs. Tínhamos recomendações de que este seria um local interessante de visitar-se pois ainda mantinha traços indígenas muito fortes em sua cultura e costumes. O artesanato do local também seria muito forte.

Embora acreditássemos que a paisagem que havíamos visto até então mudaria apenas quando chegássemos no Chile, especificamente no Deserto do Atacama, nos surpreendemos ao ver que poucos kilometros após San Salvador de Jujuy a paisagem mudou completamente. O verde das árvores começou a desaparecer dando lugar a grandes vales e a leitos de rios praticamente secos. Nos parecia que já havíamos chegado ao deserto, os cactus já apareciam por lá. Estávamos passando no meio da cordilheira rodeados por cerros (morros) com altitudes entre 3.000 e 4.500mts. A velocidade desenvolvida por nós caiu bruscamente pois estávamos maravilhados por esta imagem. Cada Cerro parecida único e cada curva da estrada ou do leito do rio parecia o melhor lugar para uma fotografia. Chegamos a comentar que se a viagem terminásse ali já teria valido a pena.




Logo em seguida já estávamos atingindo altitudes acima dos 2.000mts. e continuávamos subindo. Paramos na estrada por 2 vezes, uma no Trópico de Capricórnio (marco) onde também haviam algumas llamas e outra para ver de perto uma casa em que viviam os moradores dali. A casa era toda de barro e o casal devia ter uns 5 filhos. Segundo as informações que nos passaram vivem da agricultura.


Passamos reto pela entrada para Pumamarca e o Paso de Jama e seguimos adiante. Este roteiro seria o do dia seguinte e não nos interessava por hora.

Passamos as cidades que existem no caminho, Tilcara e Maimara e as 17hrs. chegamos a Humahuaca. Após uma rápida volta pela cidade (8 mil habitantes) estacionamos os carros no "centro". Humahuaca é um antigo assentamento dos índios omaguacas.

Logo ao estacionar fomos abordados por diversos guias mirins muito bem instruídos para contar a história da cidade. Não tardou e conhecemos a pequena Abigail, também guia, de 10 anos e que colocou-se a nos contar com muita propriedade a história. Parecia que ela havia encarnado um espírito indígena de tal forma que ela falava. Parecia que nem respirava. Até brinquei com os amigos que se tivésse um lugar no carro trazia ela comigo. Realmente era impressionante seu conhecimento e vocação para aquilo.




Em seguida nos colocamos a subir os degraus de uma escada que levava a um monumento no alto de um morro. Até ali não havíamos percebido nenhum efeito da altitude. Sabíamos que estávamos em um local alto por indicação do GPS, mas de resto estava tudo normal. Esta impressão não durou muito tempo pois ao chegarmos no meio da escadaria 2 de nós (inclusive eu) sentimos uma tontura e mal estar repentino ocasionado pelo esforço físico que estávamos fazendo na escada. Paramos por 1 minutos ou 2 para nos recompor e fomos adiante. A sensação logo passou e só voltava a ocorrer quando ficávamos em lugares fechados com pouca ventilação.




Veja algumas dicas sobre o Mal da Altitude clicando aqui.


Saímos de Humahuaca as 19:50hrs. pois não queríamos viajar à noite (o sol se põe às 20:20hrs.). Se tivéssemos mais tempo com certeza ficaríamos mais nesta cidade. Nossa visita deu-se praticamente a umas 2 ou 3 quadras próximas a nossos carros. O artesanato local é muito forte e encontram-se muitas mantas, tapetes, casacos, ..., feitos dos mais variados produtos, mas principalmente de pele de vicunhas, guanacos e llamas.

Nosso próximo destino seria Tilcara cidade 42Km ao Sul que oferecia uma estrutura hoteleira melhor. A escolha por Tilcara deu-se também por uma orientação para que buscássemos dormir em uma cidade com altitude próxima a 2.500mts. para nos ambientarmos à grande altitude que enfrentaríamos no dia seguinte (próxima a 5.000mts.).

Em Tilcara ficamos no Hotel Turismo Tilcara, bem próximo da praça central. Na Argentina é muito comum ao redor da praça central estarem localizado os principais pontos oficiais da cidade, a Igreja, o Cabildo (Casa de Gobierno) e os primeiros prédios da cidade.

À noite jantamos em um Restaurante com show ao vivo de um grupo tocando músicas locais. A janta estava muito boa e após o show um de nossos viajantes comprou o bumbo que o músico havia utilizado na apresentação. Este bumbo mais tarde foi apreendido na Aduana Chilena em função do risco da febre aftosa. Mas correu tudo bem, ao saírmos do Chile pudemos retirá-lo novamente na Aduana.






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domingo, 6 de janeiro de 2008

Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 3 - De Presidência Roque Saenz Pena à Salta

De: Presidência Roque Saenz Pena - ARG
Para: Salta - ARG
Distância Percorrida: 670Km

Comentários: Saímos do hotel no dia 25/12 às 9hrs em direção à Salta. Sabíamos que este dia seria o primeiro de uma série de muitos em que nossas refeições principais seriam o café da manhã e a janta. Considerando que o café da manhã era sempre o mesmo (croissant, suco e pão torrado) podemos dizer que a principal refeição do dia seria sempre a janta. Durante o dia beliscávamos biscoitos, barras de cereais, frutas e bebíamos muita água pois o calor era infernal (sempre acima dos 35graus durante o dia). O chimarrão também era companhia constante.

Durante nossa viagem percorremos várias regiões da Argentina, as Missões (imediações de Posadas), o Chaco (imediações de Corrientes e Presidência Roque Saenz Pena) e o Noroeste (imediações de Salta, San Salvador de Jujuy). Destas regiões, com certeza o Chaco Argentino, excluindo-se Corrientes, Resistência e Saenz Pena é a região mais abandonada em termos de desenvolvimento. Dos 670Km de distância entre Saenz Pena e Salta pode-se dizer que 99% deste percurso é feito cruzando uma região quase deserta em termos de moradores. Para sorte dos viajantes pode-se dizer que o asfalto deste percurso está em boas condições, com excessão de um percurso de 60Km localizado 150Km depois de Saenz Pena e que estende-se até 100Km antes de Toco Pozo. Neste trecho apesar de conseguir-se desenvolver velocidades acima de 80Km/h existem trechos bastante esburacados e alguns de estrada de terra.

Este trecho de estrada pode ser considerado uma exceção na Argentina, país onde as estradas podem ser consideradas verdadeiros tapetes em que pode-se desenvolver e manter tranquilamente velocidades acima de 120Km/h. Além das estradas Argentinas serem muito boas o trânsito de veículos entre as cidades é muito pequeno reduzindo as ultrapassagens a um número muito pequeno. Se por um lado a viagem é bastante calma com estas características, por outro, pode complicar bastante o socorro em caso de algum problema mecânico no veículo já que são poucos os carros neste trecho.

O fato de andarmos sempre em estradas ótimas na Argentina e Chile nos deixou mal acostumados pois quando retornamos ao Brasil mudamos nosso conceito quanto à estradas que antes achávamos boas. O que se percebe é que já estamos acostumados no Brasil a transitar em estradas esburacadas e irregulares (asfalto deformado) e já achamos isto tão normal que não estranhamos mais. Uma situação bastante normal na Argentina e Chile é a utilização dos postos de pesagem de caminhões, condição esta que está descartada no Brasil há muitos anos. Talvez um dos motivos do mau estado de conservação de nossas rodovias seja o peso excessivo nas cargas transportadas por nossos caminhões.

Animais na pista: Na Argentina, e alguns lugares do Chile, todo cuidado é pouco pois é com grande freqüência que existem animais em cima da pista, sejam jegues, cavalos, vacas, ovelhas, cabritos, llamas, guanacos, vicunhas, ...., e borboletas, muitas borboletas.

Pedágios: nos quase 7.000Km rodados em nossa viagem passamos por alguns pedágios na Argentina, não mais do que 7 postos (no Chile não vimos pedágios) e nestes postos as tarifas nunca passaram de $ 2,50, algo como R$ 1,55.

Polícia em Pampa de Los Guanacos: Na localidade de Pampa dos Guanacos tivemos o primeiro contato com o que poderia chamar-se de um policial corrupto. Digo isto pois segundo o Guia "O Viajante" a região do Chaco Argentino é conhecida por ter guardas corruptos. O que vimos, de fato, foi um policial "no meio do nada", abandonado em um posto policial no pior trecho da estrada (Ruta 16), justamente onde ela é de terra. Imaginem, um posto policial longe da civilização, a um calor de quase 40graus e no meio da poeira levantada pelos carros que ali transitam.
Nesta "abordagem policial" não fomos questionados sobre documentação, cambão, carta verde, triângulo, kit de primeiros socorros, nem dada. Nossa preocupação quando nos preparávamos para a viagem era: se os policiais são corruptos em alguns lugares, como descobriremos quem são os corruptos e quem são os honestos ? Qual o risco de tentarmos corromper um policial honesto ?
Felizmente nossa preocupação não se concretizou, nas primeiras 5 ou 6 palavras com o policial logo saiu um pedido "una plata para a cidra". Pudera, estávamos no dia de Natal, ele abandonado no meio do nada, resolveu arriscar e garantir o dia.
Como estávamos preparados para esta situação estávamos com os carros bem "recheados" de "brindes" para os policiais, camisetas, bonés, ... Entregamos uma camiseta e um boné para ele e logo fomos liberados para seguir viagem.
Neste mesmo posto policial, quando estávamos voltando de nossa viagem já em direção ao Brasil nos demos conta que passamos do posto a mais de 80Km/h e levantamos a maior poeira no posto policial. Só vimos o posto quando já havíamos passado por ele pois estávamos todos embalados e dispostos a vencer logo os 865Km que fizemos neste dia.


Mais adiante, e bem mais mesmo (540Km depois de Saenz Pena) entramos na Ruta 34, estrada que vem de San Miguel de Tucuman, maior cidade do Norte Argentino. Na Ruta 34 o asfalto é novo e a pista duplicada. Este trecho nos deu um pouco de alegria novamente visto que o trecho entre Joaquim V. Gonzalez e a Ruta 34 (trecho de uns 50Km) estava bem ruim, quase pior do que o trecho do Chaco Argentino.



Após nossa saída de Saenz Pena pode-se dizer que a única cidadezinha no caminho foi a de Joaquim V. Gonzalez que tinha um pequeno mercado, um "restaurante" com parrilla, dois postos de combustível, enfim, uma localidade com cara de cidade.

Ao entrar na Ruta 34 já pode-se ver ao fundo os primeiros sinais da Cordilheira dos Andes. A altitude também começou a aumentar à medida quem que nos aproximávamos de Salta. Salta fica a aproximadamente 1.200mts. acima do nível do mar.

Chegamos em Salta às 17:15hrs. Pensamos em aproveitar neste momento e conhecer o teleférico que existe na cidade mas por ser feriado estava fechado. Ao lado da estação do teleférico havia uma grande quantidade de pessoas curtindo o feriado de Natal. Era a Plaza San Martin o ponto de encontro deles. Nesta praça existe um lago com pedalinhos, muitos carrinhos de comida (frutas, cachorro quente, ...), enfim uma verdadeira muvuca. Podia-se ver de tudo ali.


Após percorrermos alguns Hotéis buscando algum com preço adequado acabamos ficando no Hotel Crillon, a 1,5 quadra da Plaza 9 de Julio. Existem vários hotéis em Salta, para todos os tipos de bolso. Salta é a capital da província (estado) de Salta e tem mais de 400.000 habitantes. A Plaza 9 de Julio é muito bonita, talvez um dos lugares mais aconchegantes de toda a viagem. Jantamos em uma pizzaria que fica no calçadão da Plaza 9 de Julio (Restaurante El Palácio - recomendamos). A partir deste dia nos encantamos com a cerveja argentina. As garrafas de 1 lt. eram pequenas para saciar nossa sede.

Enquanto a Pizza não chegava fomos conhecer a Catedral de Salta, a igreja mais bonita que já vimos. A impressão que se tem é que ela é toda ornamentada em ouro. O visual é realmente deslumbrante. Temos o costume de conhecer as igrejas nas cidades que conhecemos e nenhuma, nem mesmo em Buenos Aires, Montevidéu e outras cidades históricas tem uma igreja tão bonita.


Após a janta fomos caminhar nas imediações da praça e do hotel. Na Argentina é comum encontrar-se vários Cassinos em cada cidade. Em Salta não era diferente. Encontramos um argentino empurrando uma motocicleta nova (estilo Honda Bis). Perguntamos o preço dela e ele comentou custar entre $ 3.500 e $ 4.000, o que equivale a R$ 2.500,00, bem menos do que a metade do custo de uma Bis no Brasil.

Na quadra próxima à praça havia uma loja grande com roupas e outros produtos. Chamou-nos a atenção os baixos preços praticados no vestuário. Pena que não tínhamos tempo disponível para compras.


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Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 2 - De Posadas a Presidência Roque Saenz Pena, passando pelas Ruínas de San Ignácio

De: Posadas - Argentina
Para: Presidência Roque Saenz Pena - Argentina (passando pelas Ruínas de San Ignácio)
Distância Percorrida: 650Km.

Comentários: Marcamos o desayuno (café da manhã) para as 7hrs. Para quem está acostumado com os hotéis brasileiros o café da manhã nos hotéis argentinos deixa a desejar. Em quase todos os hotéis em que ficamos o café era composto de pão torrado, croisant, manteiga, geléia, café e suco de laranja. Após o café demos uma volta na Plaza 9 de Julio, casa de gobierno e na quadra do hotel.














As 8hrs. saímos do Hotel em direção às Ruínas de San Ignácio, sentido contrário à direção que seguiríamos naquele dia. Fizemos aproximadamente 70Km até a cidade de San Ignácio. As ruínas de San Ignácio são a maior redução jesuítica erguida em território argentino e atualmente mantém-se em bom estado de conservação.

















Tivemos alguma dificuldade com abastecimento neste dia pois a Argentina está enfrentando problemas de racionamento de combustível. Encontramos postos fechados por falta de abastecimento. Mais tarde descobrimos que o preço do combustível está congelado desde o ano de 2003 e por isto as refinarias preferem a exportação, deixando o mercado interno argentino em segundo plano.




As 12hrs. estávamos novamente em Posadas e dali seguimos em direção a Corrientes. As 13:00hrs. paramos para almoçar em Ituzaingo em um restaurante junto ao posto BR que fica no centro da cidade. Retornamos à estrada as 14:30hrs. na ruta 12. Ao chegarmos em Corrientes percorremos a Av. Costanera e apreciamos a vista do Rio Paraná e a ponte de 1,6Km que liga Corrientes a Resistência.





Em Corrientes tivemos nosso primeiro contato com a Polícia Argentina. Antes da viagem tivemos péssimas recomendações sobre a polícia local motivo pelo qual tivemos o máximo de cuidado sempre que fomos abordados. Para nossa surpresa sempre fomos bem atendidos tendo os policiais mostrado-se muito atenciosos e educados. Em nenhuma abordagem que tivemos tivemos de descer do veículo ou mostrar a bagagem. A simples apresentação do passaporte (ou RG) e os documentos do veículo sempre foi suficiente. Em Corrientes os policiais chegaram inclusive a nos escoltar para mostrar qual seria a forma mais fácil de chegar à ponte que cruza o rio Paraná.




Chegamos à Presidente Roque Saenz Pena às 20hrs. É noite de Natal (24/12). Procuramos um Hotel com preços acessíveis já que a cidade é conhecida por suas águas termais e também por ser a Capital Nacional do Algodão. Nos surpreendemos com a grande movimentação da cidade, principalmente em seu comércio. A cidade tem 100.000 habitantes, sendo a maior e praticamente única cidade entre Resistência e Salta.




Ficamos no Hotel Presidente, localizado bem no centro da cidade. Pedimos aos proprietários que nos indicássem um local para jantar (ceia de Natal) e nos responderam que havia apenas 1 restaurante atendendo neste dia. Fomos até o local e o prato do dia era parrilha. A forma de preparar é que nos chamou a atenção visto que a carne era preparada à base de marteladas (sentamos ao lado da churrasqueira) e separada para ser servida nas mesas sem nenhum cuidado com a higiene. Faltaram apenas alguns cachorros sentados em frente à churrasqueira para completar o ambiente. Valeu umas boas risadas.




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Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 1 - De Nova Petrópolis/RS a Posadas/ARG

De: Nova Petrópolis - RS
Para: Posadas - Argentina
Distância Percorrida: 640Km até São Borja + 160Km até Posadas = 800Km.

Comentários: Saímos de Nova Petrópolis às 06:15hrs. Estávamos em 3 carros em um total de 10 pessoas. Fizemos paradas em Soledade (café) e São Luiz Gonzaga (almoço na Churrascaria São Franscisco na beira da BR).

Para nossa comunicação entre os veículos estávamos equipados com rádios UHF permitindo a troca de idéias e informações durante a viagem.

As 16:00hrs. chegamos à Aduana Argentina de São Borja. Estavamos com nossa documentação em dia, portanto não teríamos problemas na entrada. Alguns haviam levado passaportes e outros a própria carteira de identidade (RG).

Câmbio: Aproveitamos para trocar nossos dólares por Pesos Argentinos no próprio prédio da aduana. A conversão foi de US$ 1,00 = $ 3,00 ou $ 1,00 = R$ 0,62. Mais tarde fomos descobrir que em Salta a conversão era de $ 1,00 por R$ 0,57 e que no cartão de débito (Visa Electron) a conversão seria de $ 1,00 por R$ 0,58 (já considerando a tarifa de saque de R$ 6,30) o que mostrava-se muito mais vantajoso do que fazer o câmbio na aduana argentina.


A entrada na Argentina (Aduana) levou em torno de 50min. e logo após seguimos em direção a Posadas que seria nossa primeira parada para descanso. Logo na entrada da Argentina encontramos os primeiros indícios das Reduções Jesuíticas. Das 30 reduções jesuíticas erguidas na América no início do século 17, 7 foram no Brasil, 8 no Paraguai e 15 na Argentina.

Abastecimento: Já sabendo que o combustível na Argentina saia muito mais em conta do que no Brasil deixamos para abastecer nossos veículos assim que chegássemos na Argentina. Encontramos o primeiro posto a 8Km da Aduana, após a entrada da cidade de Santo Tomé. O diesel estava a $ 2,33 ou R$ 1,44. Abastecemos na Argentina em valores que variaram entre $ 2,10 e $ 2,50, independendo de tratar-se de postos próximos a cidades grandes ou não. A partir deste momento percebemos uma situação que nos acompanharia durante quase toda a viagem pela Argentina e Chile: a dificuldade de encontrar postos de combustível que aceitassem cartões de crédito/débito. A maioria aceita apenas efectivo (dinheiro). Se formos estabelecer uma regra que valha para todos os postos diríamos que os postos Shell aceitam cartões de crédito e os outros, que são em sua maioria da bandeira YPF aceitam apenas pagamento em dinheiro. Fomos saber deste padrão apenas na volta da viagem e para facilitar a vida de futuros viajantes registramos no GPS todos os postos Shell que encontramos no caminho. Sabendo-se onde eles estão localizados é possível fazer quase toda a viagem abastecendo com cartão de crédito/débito.



Nossa chegada foi por volta das 18:30hrs e após darmos uma volta pela Avenida Costaneira nos deslocamos para o centro à procura de um Hotel. Acabamos ficando no City Hotel que fica bem em frente à Plaza 9 de Julio. A diária de $ 98,00 ou R$ 61,00 para 2 pessoas foi quase que uma constante em todos os hotéis que ficamos na Argentina.

À noite voltamos à Av. Costaneira para jantar no Restaurante Dona Chola que serve pescados e também outros pratos. A noite era de lua cheia o que tornava ainda mais bonita a vista do Rio Paraná que faz a divisa entre Argentina (cidade de Posadas) e do Paraguai (cidade de Encarnacion). À noite a Av. Costanera é um local de grande movimento sendo o ponto de encontro dos jovens.





Por fazer divisa com o Paraguai a cidade é ponto de passagem para aqueles que buscam preços mais baixos no país vizinho sem ter de ir até Foz do Iguaçú.





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