segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 10 - De Antofagasta à San Pedro de Atacama, passando por Pampa Union e Chuquicamata

De: Antofagasta (CHL)
Para: San Pedro de Atacama (CHL)
Distância Percorrida: 360Km

Comentários: Saímos de Antofagasta às 12hrs. Tiramos a manhã para descansar visto que a volta seria mais cansativa do que a vinda. Teríamos de fazer o caminho de volta ao Brasil em 1 dia a menos do que na viagem de ida ao Chile.

Após 1 hora de viagem chegamos a Estação Baquedano a 1.000 mts. do nível do mar. Este foi o dia com maiores oscilações de altitude. Saímos de Antofagasta no nível do mar e subiríamos até os 3.387mts. na estrada entre Calama e San Pedro de Atacama. Nesta cidade encontramos um pneu enorme que deveria ser de um dos caminhões utilizados na Mina de Chuquicamata. Como não sabíamos se conseguiríamos fazer a visita em Chuquicamata (era dia 01/01/08 - feriado) tiramos uma foto neste local.

Após 01:45hrs de Antofagasta (124Km de distância) chegamos ao Ex-povoado de Pampla Unión. Tratava-se de uma cidade fantasma (prédios completamente abandonados) que teve seus tempos áureos há quase cem anos atrás (1912 a 1952) chegando a ter 5.000 habitantes. Na época a cidade teve escola, registro civil, bombeiros, "lugares de diversão" e edição de 4 períodicos. O que podia-se ver eram os restos do que foi uma cidade que provavelmente viveu exclusivamente da retirada de sal.



Clique aqui para conhecer um pouco mais sobre o triste passado de Pampla Union.


Paramos neste povoado para conhecer o cemitério de uma legítima cidade fantasma. Como a cidade está abandonada o cemitério também estava. Em vários locais era possível ver os túmulos abertos com os restos de corpos à vista. Os moradores daquele local devem ter vivido momentos muito difíceis. Vale a pena ler o relato do link acima.




Dali saímos em direção à Chuquicamata, cidade que vivia unicamente da exploração de cobre e que desde 2004 foi evacuada em função do perigo de contaminação de sua população. Em Chuquicamata pode ser visitada a maior mina de cobre a céu aberto do mundo. Para agendar a visita é necessário acessar enviar email para a Codelco, empresa estatal que explora a mina (http://www.codelco.com/). As visitas ocorrem de 2ª a 6ª feira a partir das 14h.


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Clique aqui para saber mais sobre a Mina de Chuquicamata.

Atualmente a cidade que chegou a ter 12.000 habitantes está deserta e em alguns anos deve seguir o mesmo caminho de Pampla Union. Todos os seus moradores tiveram de mudar-se para Calama a 16Km dali.
Infelizmente em função do feriado não haveria visita à mina no dia de hoje.
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Segundo informações do vigilante os caminhões que transitam na mina tem capacidade para transportar 330 toneladas. Para efeito de comparação um caminhão brasileiro utilizado para transporte de cargas tem capacidade para 30 toneladas.

Apesar de já estarmos rodando na região há 1 semana ainda neste dia percebemos os efeitos da altitude em nós. Talvez por termos saído de uma altitude 0 (zero) em relação ao nível do mar e chegando a mais de 3.000 metros em um mesmo dia (questão de poucas horas) percebemos nitidamente o efeito da altitude em nós. Após passarmos Calama percebíamos uma sensação de náuseas/tontura. Para quem estava sentindo mais (dores de cabeça) o medicamento Alivium resolveu a situação em pouco mais de 10 minutos.

Nesta noite dormimos novamente no Hotel Don Raul em San Pedro de Atacama.


Próximo dia >>>>>

Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 9 - La Portada e Mejillones

De: Antofagasta (CHL)
Para: Mejillones (CHL)
Distância Percorrida: 210Km

Comentários: Neste dia combinamos de ir para Mejillones. Nos encontramos no café (desayuno) as 9hrs. O café da manhã estava ótimo.

Antofagasta é a capital da província (Estado) de mesmo nome e deve ter próximo de 400 mil habitantes e hoje é a principal cidade do norte do Chile. A cidade foi fundade em 1868 pelo governo boliviano e tornada chilena após a Guerra do Pacífico.





Saímos para conhecer o Museu de Antofagasta mas ele estava fechado em função do feriado (31/12). Passamos pela Plaza Cóllon (acima), Catedral, Pátio Ferroviário (foto), Grua a Vapor e Ruínas de Huanchaca.



As Ruínas de Huanchaca ficam praticamente no centro da cidade e retratam a existência de uma mina de prata que funcionou entre 1873 e 1902 chegando a serem processadas 200 toneladas de prata por dia com mais de 1.000 trabalhadores.

Do alto das Ruínas tem-se uma linda vista do litoral de Antofagasta.

O litoral de Antofagasta é de difícil acesso aos banhistas. A orla é repleta de pedras e em apenas alguns lugares é possível banhar-se. O Balneário Municipal (foto)é um destes lugares.
Queríamos ter conhecido também o Mercado Público, mas o local parecia mais um mini-paraguai com milhares de pessoas na rua.

Seguimos em direção ao monumento "La Portada" (foto abaixo), monumento natural símbolo de Antofagasta com 43m de altura e 70m de largura, no formato de um arco.


Após esta parada seguimos para Mejillones 65Km distante de Antofagasta.

Mejillones: balneário com menos de 9 mil habitantes que ganhou este nome devido à abundância deste pequeno molusco (mexilhão) que tornou-se comida popular entre seus habitantes. Suas praias são de águas límpas e calmas e são bastante procuradas pelos praticantes de esportes náuticos. Mejillones é uma cidade turística e portuária.
Após o almoço no Restaurante La Pica de Marco Antônio seguimos em direção à Punta Rieles onde segundo o Guia "O Viajante" deveriam haver em torno de 5.000 lobos marinhos. Infelizmente vimos apenas uns 5 deles, os demais 4.995 deveriam estar viajando em função do feriado de ano novo.

O acesso à Punta Rieles não é difícil, mas também não é fácil. A estrada é asfaltada em boa parte do trecho, mas no final tem alguns locais que exigem tração (principalmente na volta). Apesar da Tracker ser tracionada resolvi não descer o morro com ela e pegar uma carona na Pajero.

Fomos também à busca das tartarugas verdes (espécie que pode chegar a 180kg) mas a informação que tivemos é que os lobos marinhos estavam atacando as tartarugas e com isto elas migraram para Antofagasta, na região próximo a La Portada. Chegamos a passar por lá na volta mas não as avistamos.

Em Mejillones foi a única vez que tivemos de parar o carro para esperar o trem passar. Chamou-nos a atenção que mesmo quando não tem um trem próximo à ruta (estrada) os motoristas chilenos tem o costume de parar o carro completamente nos cruzamentos. Os trilhos de trem cruzam freqüentemente a estrada, existem apenas placas de Stop como em um cruzamento normal, a diferença é que a preferencial é sempre dos trens.





Retornamos à Antofagasta no final da tarde, eram próximo das 19:45hrs. Não poderíamos deixar de ir ao Oceano Pacífico e não tomar um banho de mar. Dizem que o mar é frio no Pacífico. Quente é que não é, mas que está acostumado ao mar do Rio Grande do Sul logo acostuma com a água fria do Pacífico. Tomamos nosso banho tranqüilamente no Balneário Municipal, local bastante próximo do hotel. No horário em que fomos não havia mais ninguém por lá. Apenas 3 de nós arriscaram o banho de mar.

Voltamos ao Hotel. Os demais integrantes de nossa trupe estavam na piscina aquecida. Nos juntamos a eles e lá ficamos por mais 1 hora. Ao sair da piscina combinamos de nos encontrar na recepção um pouco mais tarde para sairmos à busca de um lugar para jantar. Era 31/12, véspera de Ano Novo.

Ceia de Ano Novo: Nos encontramos na recepção por volta das 22hrs. Já havíamos colocado nossas espumantes na geladeira do hotel (havíamos comprado no Mercado Jumbo). Agora restava encontrar um local para janta. O máximo que poderia acontecer era todos os restaurantes estarem fechados e termos de ir no McDonald´s que havia na Av. Constanera. Pegamos os carros e saímos à procura. Logo percebemos que não teríamos opções. Até mesmo o McDonald´s estava fechado.
Paramos no primeiro posto de combustível que encontramos e liquidamos o estoque de sanduíches que lá havia. As opções eram poucas (no dia seguinte fomos descobrir que estavam com o prazo de validade vencido. Ainda bem que vimos apenas no dia seguinte).
Tentamos comprar umas cervejas mas também não conseguimos.
Retornamos ao hotel para nossa ceia no local do café da manhã. Tomamos conta do local. Devem ter estranhado nosso "acampamento" e pensado: "tinham que ser brasileiros".
Um pouco antes da meia-noite fomos para a frente do Hotel para acompanhar a queima de fogos que ocorreria na Av. Costaneira. A primeira coisa que nos chamou a atenção é que os fogos começaram apenas após a meia-noite, apenas nós cantamos o tradicional "adeus ano velho, feliz ano novo, ..." em frente ao Hotel.
Os fogos foram bastante comedidos, nada de muito espalhafatoso. Chamou a atenção que além da queima de fogos oficial não ouviram-se outros foguetes nem antes, nem durante, nem depois da virada de ano. Ao acabarem os fogos na Av. Costanera todos foram embora. Estávamos hospedados de frente para a rua e não escutamos nenhum ruído após a meia-noite. Será que apenas os brasileiros são viciados em foguetes ?
Até mesmo a bebida parecia controlada entre os hermanos.

Cerveja: a dificuldade de comprar cervejas é um fato que nos chamou a atenção. Uma das explicações para o brasileiro tomar muito mais cervejas que os Chilenos com certeza é a facilidade que temos de encontrá-las no Brasil. Aqui, em qualquer esquina compra-se cervejas geladas. No Chile nos chamou a atenção que na Av. Costanera (Av. de frente para o mar) não existem bares. Para onde este povo vai quando quer sair ? Os bares não vendem cerveja e os restaurantes não podem permitir que as garrafas sejam levadas para fora de seu estabelecimento. Pelo que vimos uma das únicas formas de beber no Chile é comprando cerveja no mercado.

Horário da Sesta: Outro fato que nos chamou a atenção na Argentina e Chile é o horário da sesta, ou do cochilo. O primeiro local que percebemos isto foi em San Salvador de Jujuy. O comércio lá fecha às 14hrs. e reabre as 17hrs. O mesmo acontece em San Pedro de Atacama, nestes mesmos horários. Qual a explicação ? O calor ou o fato dos turistas saírem para passear durante o dia e procurarem o comércio no final da tarde. Nestas cidades o comércio vai até depois das 20hrs. Em Antofagasta não percebemos esta característica, mas como estamos falando de costumes diferentes eis aí mais um deles.




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Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 8 - De San Pedro de Atacama a Antofagasta, passando por Calama e Baquedano

De: San Pedro de Atacama (CHL)
Para: Antofagasta (CHL)
Distância Percorrida: 350Km
Altitude máxima atingida no dia: 3.387mts. a 43Km de San Pedro de Atacama em direção à Calama

Comentários: Hoje nosso destino é o litoral do Oceano Pacífico, especificamente Antofagasta. Saímos de San Pedro logo pela manhã (08:30hrs) mas antes passamos no posto de combustível para abastecer. Novamente perdemos em torno de 15min. para chegar até o posto em função do trânsito complicado de San Pedro.


Antes de seguir para Calama, última cidade grande antes de Antofagasta, paramos no Vale de La Muerte para averiguar uma caverna enorme que havíamos visto ao lado da ruta.


A estrada para Calama está em ótimo estado de conservação. É um verdadeiro tapete no meio do deserto. Entramos na cidade de Calama para conhecê-la um pouco.

Percorremos algumas ruas da cidade e aproveitei para calibrar os pneus (havíamos reduzido a calibragem quando fomos aos lagos Miñiques e Miscanti). Chamou-nos a atenção que tanto na Argentina como no Chile os postos normalmente estão com seus equipamentos de calibragem de pneus estragados. Encontramos apenas um posto em Antofagasta com o equipamento 100% funcionando.

Saímos de Calama às 11:30hrs. e seguimos em direção à Antofagasta. Havíamos combinado que seguiríamos viagem direto até lá e pararíamos para conhecer o que houvesse na estrada na volta pois voltaríamos pelo mesmo trecho.

A partir de Calama o movimento é muito mais intenso do que que já havíamos presenciado entre Argentina e Chile. Nada como as BR´s do Brasil, lotadas de caminhões, mas mais intenso do que as demais estradas daqueles países.



Desde logo chamou-nos a atenção a grande quantidade de túmulos existentes ao longo da estrada. Apesar de ser uma estrada em ótimas condições parece ser grande a quantidade de acidentes com mortes que ocorrem nela. No início acreditávamos tratar-se apenas de casualidade, mas até chegarmos em Antofagasta tranqüilamente passamos por mais de 100 túmulos ao lado da estrada. Pode-se ver de tudo, desde os mais simples, apenas com uma lápide até os mais requintados que mais parecem prédios de lanchonetes contando até mesmo com toldos para proteção do sol.

Ao longo da estrada para Antofagasta existem povoados que parecem ter como único objetivo servir para a carga e descarga ou manutenção dos trens. O Chile conta com uma grande rede ferroviária na região entre Calama e Antofagasta. Talvez o maior motivo disto seja a existência a 15Km de Calama da maior mina de cobre a céu aberto do mundo, localizada em Chuquicamata (visitamos ela na volta). Pelo que pudemos perceber todo o transporte do cobre é feito através de trens. Entre Calama e Antofagasta o único povoado que pode ser chamado de povoado ou mini-cidade é Baquedano (foto ao lado), distante 140Km de Calama e 70Km antes de Antofagasta.

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Além de Baquedano pode-se ver povoados abandonados, legítimas cidades fantasmas que provavelmente tiveram seu auge quando da extração de algum minério naquela região (paramos em uma delas na viagem de volta).

Chegando em Antofagasta (foto ao lado) nos colocamos a procurar algum hotel. Desde já percebemos que as diárias são em Dólar, ao menos nos melhores hotéis. Ficamos no Holliday Inn (US$ 80,00 o casal, foto abaixo). O hotel é de excelente qualidade. Parecia uma outra viagem se comparado com San Pedro de Atacama. Só o fato de poder tomar banho e sair na rua sem estar logo cheio de areia ou poeira já nos alegrou novamente. O hotel tinha também televisão, ar-condicionado, banheira, chuveiro quente, um ótimo café da manhã, enfim, muito diferente dos lugares que havíamos ficado.

Saímos para almoçar na Av. Costaneira no Arrecife Bar e Restaurante. Foi uma ótima refeição. Enquanto esperávamos a comida íamos recalculando nossa viagem de volta para ver da possibilidade de ficarmos mais 1 dia em Antofagasta. Inicialmente ficaríamos apenas 1 noite aqui e amanhã seguiríamos novamente para San Pedro de Atacama onde passaríamos o ano novo. Para viabilizar mais 1 dia em Antofagasta teríamos de sacrificar uma parte de nossa viagem que passaria por Quilmes e Cafayate. Mas todos concordaram com a troca. Até agora nossos dias tinham sido repletos de atividades. A cabeça estava descansada mas o corpo já estava sentindo os 3.500Km´s que já havíamos feito até aqui. Liguei para o Hotel em San Pedro e transferi nossa reserva do dia 31/12/07 para o dia 01/01/08. Imaginávamos que seria complicado de trocar a data mas foi fácil.

A língua espanhola não mostrou-se difícil durante nossa viagem. Quando estávamos indo de Nova Petrópolis para a Argentina escutávamos no carro um CD adquirido no Brasil com aulas básicas de espanhol. As principais palavras e expressões do dia-a-dia constavam neste material. Fazíamos questão de sempre nos comunicar na língua local e não de falar o português. Em determinada cidade chegamos a ser questionados se éramos espanhóis. Também não é para tanto, isto já é exagero. Esta facilidade com o espanhol fez com que a troca das fechas (datas) das reservas das habitaciónes (quartos) fosse bastante tranqüila, mesmo sendo por teléfono.

Após o almoço (17hrs.) fomos para o Hotel para descansar um pouco. Afinal agora tínhamos 1 dia a mais para aproveitar em Antofagasta.
Descemos para o saguão às 20hrs. para olhar o pôr-do-sol no Pacífico. Estávamos hospedados bem em frente à beira-mar.

As 20:30hrs voltamos para o Hotel. Alguns do nosso grupo já estavam voltando das compras no Mercado Jumbo, um enorme mercado que ficava a 3 quadras do hotel. Motivados por eles acabamos indo junto com eles para novas compras. Apesar dos preços chilenos serem bem mais altos do que os argentinos pôde-se encontrar alguns produtos mais baratos que na Argentina. Compramos no Chile 2 sacos de dormir (para temperaturas de até 5 graus negativos) por R$ 45,00 cada.

Após as compras voltamos ao Hotel, já por volta das 23hrs.


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Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 7 - Geisers de El Tatio, Pukara de Quitor, Vale de La Muerte e Vale de La Luna

De: San Pedro de Atacama
Para: Geisers de El Tatio, Pukara de Quitor, Vale de La Muerte e Vale de La Luna
Distância Percorrida: 178Km (Geisers) + 72Km (Vales + Quitor) = 250Km
Altitude Máxima atingida no dia: 4.520mts.

Comentários: Neste dia acordamos as 03:30hrs. visto que as 4hrs. estaríamo embarcando em uma Sprinter com destino aos Geisers de El Tatio. Optamos por fazer este passeio com uma agência de turismo por desconhecermos a estrada que teríamos de percorrer ainda no escuro (estrada que sabíamos não era das melhores) e também pela comodidade de podermos dormir durante a viagem já que as 4hrs. da manhã não conseguiríamos enxergar nada igual. O passeio saiu por $ 15.000,00 por pessoa (algo em torno de R$ 55,00) e se tivéssemos de ir novamente iríamos mais uma vez de Sprinter ao invés do nosso carro. São 97Km de estrada de rípio (terra) feitos em 2:30hrs.


Na metade do percurso, a 56Km fizemos uma parada a 4.520mts. de altitude. Eram por volta das 05:15hrs. O motorista da Sprinter insistiu para que desembarcássemos da camioneta para sentirmos o frio da Cordilheira. Poucos de nós descemos. Estava realmente frio lá fora. Segundo o motorista naquele trecho costumava fazer entre 5 e 10 graus negativos naquele horário. Sabendo do frio intenso que fazia durante este passeio eu e minha esposa estávamos prevenidos contra o frio levando conosco mantas, luvas, toucas, vários casacos, meias, ... Podemos dizer que não passamos frio neste passeio. Havíamos levado uma mochila de roupa para frio especialmente para este dia.

Dali continuamos a viagem até os Geisers de El Tatio. Chegamos lá as 06:39hrs. Logo na entrada existe um pórtico com banheiros e um termômetro digital. Naquele momento marcavam 8 graus negativos e estávamos a 4.308mts. de altitude.

Quando chegamos mais perto dos Geisers pudemos observar a grande quantidade de Vans e Camionetas que já estávam por lá. Após isto, muitos outros veiculos ainda chegaram. Com certeza foi o local em que pudemos verificar a maior quantidade de pessoas presentes. O frio estava intenso. O sol ainda demoraria a raiar. Turistas desavisados estavam roxos de frio. Neste lugar é preferível passar calor por excesso de roupa do que passar frio por sua falta.
Tomamos café no local. O leite foi aquecido na própria água dos Geisers que chega a 90 graus. Foi um dos melhores cafés da manhã que tivemos até aquele momento da viagem, ali, ao lado dos geisers, com pão de verdade (não torrado), patê, leite, café e biscoitos.


Percorremos a região dos Geisers por volta de 1 hora. Às 8hrs iríamos até um local distante 1Km onde poderíamos tomar banho em águas termais. Era uma piscina abastecida com água dos Geisers. A princípio a idéia de tomar banho de piscina naquele frio parecia absurda, mas e o que iríamos contar caso não tomássemos banho naquele frio ?
Encaramos. As mulheres não arriscaram, foram apenas os homens e as crianças.
O banho foi ótimo. A água tem um cheiro forte de enxofre. A água quente parecia sair da própria areia que havia no fundo da piscina.


Saindo dali começamos a voltar para San Pedro, mas antes fizemos algumas paradas em um vale repleto de llamas e também no povoado de Machuca.

No povoado de Machuca comemos um saboroso espetinho de carne de llama e também pastéis de queijo de cabra. Este foi nosso almoço do dia. Não poderia ter sido melhor. O vilarejo é quase abandonado, se ninguém nasceu, morreu ou fugiu, devem haver entre 6 e 8 habitantes. Esta foi a informação repassada pelo assador dos churrasquinhos.

Chegamos em San Pedro às 12:30hrs. e após um rápido descanso de alguns minutos nos deslocamos para a Pukara de Quitor. Quitor fica a 3Km do centro de San Pedro e foi o local da batalha que determinou a conquista espanhola sobre os índios atacamenhos. As ruínas desta fortaleza não estão muito bem conservadas, mas ainda assim permitem imaginar a distribuição espacial das edificações.
A Pukara, que em quéchua, significa "fortaleza", fica no alto de um morro na Cordilheira de La Sal (foto ao lado), com uma bela vista do vale onde se localiza.
Neste dia sentimos o sol forte que assola a região. Eram 14hrs. e estávamos a subir os morros que compõe a Pukara de Quitor. A subida é cheia de voltas, com muita areia e sem nenhuma sombra (sombra no Deserto do Atacama ?). Ainda bem que fomos prevenidos com bastante água.

Tínhamos que ser rápidos em nossa visita pois as 15:30hrs nos encontraríamos com com os demais amigos que haviam ficado no Hotel para descansar. Atingimos o alto da Pukara às 15hrs. Tínhamos poucos minutos para apreciar a vista, descansar, descer o morro e ainda chegar no Hotel a tempo para dali sairmos para o Vale de La Luna e o Vale de La Muerte.

Do alto da Pukara era possível avistar a cidade de San Pedro, o Vale de La Muerte, o Vulcão Licancabur, o Salar do Atacama e muito mais. A Pukara parecia estar colocada em um lugar estratégico pois dela era possível ver a estrada que passa pelo meio do Vale de La Muerte. Era como se dali pudéssem ser preparadas as enrascadas/ataques aos inimigos que entrassem pelo Vale de La Muerte. O local era perfeito para isto.

Chegamos ao Hotel exatamente as 15:30hrs. Os demais viajantes já estamos a postos, prontos para partirmos.

Partimos inicialmente para o Vale de La Muerte que está sinalizado com uma placa de Cordillera de La Sal. É um vale de aproximadamente 2Km de extensão com rochas, monumentos naturais e dunas, onde é possível praticar sandboard (é necessário alugar a prancha no centro de San Pedro). Não chegamos a atravessar todo o Vale de La Muerte pois dos 3 veículos em que estávamos o meu (GM Tracker) não passou pelo local em que a areia estava mais densa. Acabamos voltando pelo mesmo caminho pelo qual havíamos vindo.

Na seqüência fomos para o Vale de La Luna. Este vale é uma extensão de terra e areia avermelhada, rico de singulares formações rochosas moldadas pelo trabalho da erosão. Visitamos a mina de sal (foto à esquerda) e uma das cavernas em que é possível entrar (foto à direita).



Ao final da tarde, quando íamos voltando para o mirante conhecido por seu belíssimo pôr do sol acabamos encontrando um casal de estrangeiros atolado com sua pick-up alugada. Após desatolarmos eles da areia seguimos nosso caminho.

É impressionante a quantidade de turistas de outros países que encontramos tanto na Argentina como no Chile. Eram alemães, belgas, franceses, americanos, de tudo quanto é lado. Nós que somos de região alemã freqüentemente encontrávamos excursões de alemães, até mesmo em Humahuaca.

Quando chegamos ao mirante do Vale de La Luna já haviam centenas de pessoas subindo o morro em busca do melhor lugar para apreciar o pôr do sol. A subida é bastante cansativa, ainda mais após um dia inteiro de atividades, mas a vista do topo compensa o esforço.

Chegávamos assim ao fim de mais um dia de nossa viagem. Amanhã partiríamos para o litoral do Oceano Pacífico, especificamente Antofagasta.

























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Viagem ao Deserto do Atacama - Dia 6 - Lagos Miñiques, Miscanti, Quebrada de Jere e Reserva de Flamingos

De: San Pedro de Atacama
Para: Lagos Miñiques, Miscanti, Quebrada de Jere (Toconao) e Reserva de Flamingos (Salar do Atacama)
Distância Percorrida: 285Km
Altitude Máxima do Dia: 4.228mts. nos Lagos Altiplânicos (Miscanti e Miñiques)

Comentários: Neste dia deixamos a manhã livre para quem quizesse descansar ou conhecer a cidade de San Pedro de Atacama. Segundo uma placa no local o município tem 1.908 habitantes. A cidade mantém sua rusticidade com ruas de terra e casas em adobe (tijolo de argila seco naturalmente ao sol), característica da arquitetura local.


Para os turistas a cidade apresenta estrutura hoteleira adequada, sem luxos e conforto. A maioria dos hotéis oferecem quartos com banheiros compartilhados. Os quartos possuem uma cama e banheiro, e só. Ar condicionado, frigobar, telefone e ventilador, nem pensar. Durante a noite, entre as 23:30hrs e as 06hrs da manhã a água é cortada em toda a cidade. Pudera, estamos no meio do deserto. As quedas de luz são freqüentes na cidade.

Além dos hotéis existem muitas agências de turismo, casas de câmbio e pequenos mercadinhos e lancherias. Não são difíceis de encontrar também lan-houses para acesso à internet. O difícil é encontrar vaga em alguma delas.

Aproveitamos a manhã para trocar dólares por pesos chilenos e também para agendar a viagem aos Geisers de El Tatio, onde iríamos no dia seguinte. Cumpridos estes afazeres conhecemos o museu, o antigo cabildo, a igreja (teto de madeira de cáctus) e o artesanato local. Tudo é muito próximo em San Pedro. O deslocamento tem de ser a pé até porque as ruas são estreitas (não tem lugar para estacionar) e o trânsito é um pouco complicado, cheio de ruas com mão única, o que faz uma simples ida ao posto de gasolina consumir em torno de 15min. de deslocamento.

Câmbio: Para quem está programando uma viagem à região sugiro tentar sair do Brasil já com a moeda dos países a serem visitados ou tentar sacar o máximo possível em caixas 24 horas onde a conversão é pela cotação oficial. Em San Pedro as conversões são US$ 1,00 = $ 490,00 ou R$ 1,00 = $ 262,00. Nos saques feitos com o Visa Electron trocamos R$ 1,00 por $ 281,00.
Em Atacama existe um caixa automático do Banco do Estado, mas pelo que percebemos não é possível sacar com o Visa nestes caixas, somente no Banco do Chile (encontramos um em Antofagasta dentro do Supermercado Jumbo).

Em San Pedro de Atacama não é comum encontrar quem aceite cartões de crédito, portanto o efectivo (dinheiro) é novamente necessário quase que para tudo.

Havíamos combinado de sair do Hotel para nosso passeio da tarde às 12hrs. Nosso destino seria os Lagos Miscante e Miñiques, Toconao e a Reserva de Flamingos (que fica no Deserto do Atacama).

Nos dirigimos diretamente para o Miscante e o Miñiques e deixaríamos o restante para a volta. São 116Km de San Pedro sendo que 96Km são de astalto (muito bom) e 20Km de rípio (estrada de terra). O visual nos Lagos Altiplanos, como são conhecidos, é absurdamente fantástico. Os lagos estão localizados a mais de 4.000 de altitude e ficam ao lado dos Cerros de mesmo nome. O Cerro Miscante tem 5.592mts de altitude e o Miniques tem 5.700mts. Emolduradas por uma extensa praia de areia amarelada, as lagoas são separadas por uma pequena faixa de terra; ao fundo, apresentam-se a cordilheira com alguns vulcões, compondo um cenário que mais parece uma bela pintura a óleo. Segundo o que os guias do parque nos comentaram, pela manhã, quando o sol bate diretamente nos lagos eles tornam-se um espelho e reproduzem com perfeição os cerros ao seu redor.


A Laguna Miscanti (foto acima) tem 15Km2. e "tiene recargas provenientes de la inflitracion de aguas lluvia de tipo subterrâneo y termal, además recibe recarcas lluvias durante los veranos. Su descarga es subterrânea y por evaporación. En los inviernos es posible ver su superficie completamente congelada".

A Laguna Miñiques (foto ao lado) tem 1,5Km2.

O trecho de estrada de rípio que encontramos ao nos deslocarmos para os lagos e também os relatos de brasileiros que encontramos no Atacama (de São Paulo e também de Cascavel) nos fez desistir de nossa idéia de retornar à Argentina pelo Paso Sico. Ficamos com pena de nossos veículos após o paulista comentar que após retornar a São Paulo teria de reformar seu Troller pois havia soltado todos os parafusos na viagem.

Após conhecermos os lagos voltamos até Socaire (início do asfalto, localidade com 128 habitantes) e após uma rápida volta no povoado fomos até a Reserva Nacional Los Flamencos localizada nas imediações do Salar do Atacama ou também conhecido Deserto do Atacama.

É interessante observar que ao longo da rodovia encontram-se vários canalizações de água em abundância.

O Salar de Atacama é um extenso lago salgado que secou, deixando uma superfície de sal de 3.200km2., o maior depósito de sal do Chile. Os flamingos ficam na chamada Laguna Chaxa. Na recepção do parque é passado um filme contando um pouco da história dos salares, dos vulcões, dos lagos, facilitando a compreensão acerca da geografia do lugar.




Da Reserva de Flamingos é possível avistar o Vulcão Láscar (foto ao lado), um dos mais ativos do Chile e que em sua última erupção em 1993 chegou a ser percebida no Rio Grande do Sul. Veja a matéria. O chile conta com 150 vulcões ativos, cerca de 10% do planeta. Todos eles encontram-se na Cordilheira dos Andes formada a mais de 65 milhões de anos.

Saindo da Reserva nos dirigimos para Toconao, localizada a 38Km de San Pedro e que conta com pouco mais de 1000 habitantes. A uns 500mts. da rodovia, pode-se visitar a Quebrada de Jere, um cânion fértil que rasga o deserto com paredes de mais de 20mts. de profundidade. Ao longo de um pequeno rio, há um curioso oásis com plantações de frutas. Encontramos uma simpática senhora no local que disse que há 40 anos não chove no local. O local é repleto de cavernas nos morros.
É muito interessante ver a forma de organização do povo neste local. A água é distribuída no vale em valos feitos com pedra e existem "comportas" para conduzir a água para o local desejado. Cada morador tem reservado para si um espaço pré-definido (lotes) onde ele planta o que quizer. No meio do deserto podem ser vistas uvas, damascos, figos, romãs, ... Só vendo para acreditar.

Chegamos à San Pedro por volta das 21hrs. neste dia.
Após feitos estes passeios fica claro que a beleza do local não está na cidade de San Pedro de Atacama. Esta é apenas uma cidade próxima que cede espaço aos viajantes para sua hospedagem. Os atrativos mais bonitos da região ficam sim ao redor de San Pedro, mas não necessariamente San Pedro é uma cidade que deva ser conhecida.


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