sábado, 26 de dezembro de 2009

Viagem à Machu Picchu - De La Paz (BOL) à Copacabana (BOL)

26/12/2009 - Saímos de La Paz por volta das 09h e nosso destino seria Copacabana, nas margens do Lago Titicaca, o Lago navegável mais alto do mundo.

Copacabana seria também a última cidade que ficariamos na Bolívia, ingressando no Perú no dia seguinte. Podemos dizer que com exceção da visita à Mina Cerro Rico em Potosi e ao Pico Chacaltaya não sentiremos saudades da Bolívia. A pobreza do país é digna de seu título: o mais pobre da América do Sul. Percebemos da população um grande amor por seu presidente Evo Moralles, representante do povo que foi reeleito dias atrás para mais 5 anos de mandato com 64% de aprovação.

A pobreza da Bolívia acreditamos tenha relação direta com sua geografia. Durante todos os dias que estivemos no país estivemos a uma altitude média acima de 3.500mts, onde preaticamente não existe vegetação, árvores e água. A herança indígena também é muito forte, dando a entender que como nos últimos 400 anos a população sempre viveu assim, outros 400 anos podem ser vividos da mesma forma.

Ao sair de La Paz, mais uma vez tivemos de enfrentar o trânsito infernal de El Alto, digno de uma cidade indiana, onde vale tudo, com a única diferença que na Índia existem vacas cruzando na pista e que os táxis Tuc-Tuc lá existentes dão lugar às Vans aqui na Bolívia, milhares delas.



No trecho que percorremos percebemos grandes filas nos Postos de Combustível motivadas pela falta de gasolina. Vimos inclusive um outdoor divulgando a transformação gratuíta dos carros para combustível à gás. Conseguimos avastecer no máximo B$ 50,00, algo em torno de 15 litros.

Seguimos em direção à Tiquina, já às margens do Lago Titicaca, onde pegaríamos uma balsa que faria a travessia do Lago para após chegarmos à Copacabana. Mais uma vez encontramos muitas crianças na estrada pedindo dinheiro.
Crianças correndo para pedir esmolas



Balsa às margens do Lago Titicaca


Chegamos no Hotel Glória, da mesma rede do hotel que ficamos em La Paz, às 13h e às 13:30h já iniciaria nosso passeio até a Ilha do Sol.

Ruta de La Muerte - Coroico (BOL)

25/12/2009 - A maioria das pessoas já viu imagens enviadas via email da Ruta de La Muerte, localizada entre La Paz e Coroico na Bolívia.

São imagens que demonstram grandes precipícios e túneis cavados nós morros, local em que os carros ficam à beira de cair.


Este foi nosso destino após visitar o Pico Chacaltaya.

Eram 15:30h quando cruzávamos La Paz com a Van alugada para seguir em direção à Coroico. Mais uma vez subestimamos o tempo de deslocamento em estradas a grandes altitudes (passamos o tempo todo viajando acima dos 4.000mts) e também de muitas curvas.


GPS indicando 4.625 metros de altitude


Chegamos ao início da Ruta de La Muerte às 17:15h e ali percebemos de nosso guia que ele não tinha certeza de que veríamos o que estávamos procurando (as imagens mencionadas acima). Como já estávamos cansados decidimos por voltar ao Hotel, onde chegamos pouco depois das 19:30h.


La Cumbe, a 4.800mts. de altitude



Esta imagem não chegamos a ver pois havia neblina em La Cumbe





Apesar de não termos concretizado nosso desejo de conhecer a Ruta de La Muerte, apreciamos a vista diferenciada do local, onde mesmo estando a mais de 4.000mts estávamos rodeados de grandes morros que deviam tem em torno de 5.000mts de altitude.

O local mais alto que chegamos neste percurso foi 4.800mts em La Cruce.

Apesar de fazermos menção constantemente das altitudes locais, não vemos a hora de voltar a ficar em algum lugar mais próximo do nível do mar, apesar de que isto ocorrerá somente daqui há uns 7 dias. Nossos organismos não estão na melhor de suas fases. A cada dia temos algum de nossos integrantes passando pelos impactos da altitude.

Pico Chacaltaya (BOL)

25/12/2009 - Apesar de termos visto reportagem na Rede Globo, no programa Fantástico, dizendo que já fazem mais de 10 anos que não nevava no Chacaltaya ficamos sabendo antes de nossa saída do Hotel que havia nevado no local nós últimos dias.

O Pico Chacaltaya já foi a estação de sky mais alta do mundo, a 5.300mts de altitude, e agora pela redução das chuvas na Bolívia a estação de sky já não funciona mais. Aproveitando o assunto, a Bolívia enfrenta um grande problema em sua infra-estrutura: a falta de água. Praticamente não encontramos na Bolívia postos de combustível (dos poucos que existem) que tivessem água. Os banheiros sempre estavam imundos e nossa preferência passou a ser fazer as necessidades na estrada.

Saímos em direção ao Chacaltaya às 12:30h em uma Van alugada por nós. Assim conseguimos ficar todas as 11 pessoas no mesmo veículo.


O acesso ao Pico não é dos mais fáceis e o motorista da Van procurou evitar trechos de congestionamento, passando por bairros de periferia. 45 minutos depois chegaríamos no acesso ao Chacaltaya, de onde ainda teríamos 16Km de estrada de terra em péssimas condições, onde normalmente passa apenas 1 carro por vez.


O Pico Chacaltaya está localizado na Cordilheira Real e fica ao lado do Huana Potosi, pico com 6.088mts de altitude e que estava coberto de neve.


As 13:45h chegamos no alto do Chacaltaya, a 5.300mts de altitude. Este seria o ponto em que atingiríamos a maior altitude em nossa viagem. Estava muito frio no alto do Pico, devendo a temperatura estas próxima ou abaixo de zero.






Foi neste momento que fomos abençoados: começou a nevar. Foi nosso presente de Natal. A neve perdurou um bom tempo e quando estávamos descendo o Pico, concluindo nossa visita, ainda estava nevando.




Do Chacaltaya seguimos em direção à La Paz, de onde iríamos conhecer a Ruta de La Muerte.



Manhã em La Paz (BOL)

25/12/2009 - O Hotel Glória estava localizado bem no centro de La Paz, facilitando que conhecêssemos os principais pontos turísticos à pé. Apesar de ser uma cidade grande, La Paz apresenta grande facilidade de deslocamento a pé. Os principais pontos a serem conhecidos ficam em um raio de menos de 1km.



Vista do Hotel


Conhecemos o Monumento aos Heróis, o Congresso Nacional, a Casa de Governo onde fica o Evo Moralles, a Catedral de La Paz, o Banco Central da Bolívia e a Rua das Bruxas onde podem ser encontrados produtos do artesanato local.




Casa do Governo


Congresso Nacional


Conseguimos conhecer tudo isto em menos de 2 horas e em seguida almoçamos no Burger King para às 12h sairmos do Hotel rumo ao Pico Chacaltaia.


Fetos de Llhamas vendidos na Calle das Bruxas



Avenida principal de La Paz

Viagem à Machu Picchu - De Potosi (BOL) à La Paz (BOL)

24/12/2009 - Após a visita na mina de Cerro Rico em Potosi, seguimos viagem para La Paz às 11:20h.


Formações rochosas ao lado da estrada



Pouco antes das 13h, a 4.290mts. encontramos neve na estrada, 490Km antes de La Paz. Paramos para tirar algumas fotos e fazer alguns bonequinhos de neve.




A partir de Potosi até La Paz e depois até Copacabana passamos a presenciar uma cena que tornou-se comum: crianças pedindo dinheiro ao lado da estrada. Eram montes delas, pareciam que brotavam do chão pois não conseguiamos descobrir de onde elas vinham. Onde não se encontrava nenhum vilarejo ou casa lá estavam elas, geralmente em grupos de no mínimo 3. No pedágio em Ventilla, a 4.100mts de altitude as crianças se penduravam nós carros, batiam nós vidros, chingavam e ameaçavam tocar coisas contra os carros. Neste pedágio deviam haver umas 30 crianças rodeando nossos carros.




Imaginávamos que o trecho de Potosi à Oruro fosse fácil de ser vencido, considerando que pudéssemos desenvolver uma velocidade acima de 80Km/h. O que não contávamos era que houvessem tantas curvas, semelhante à Serra do Rio do Rastro e que com isto não conseguiriamos andar rápido. Outro fator a ser levado em conta é que a mais de 4.000mts de altitude os carros perdiam bastante de sua potência, caindo a velocidade para 40Km/h nas subidas de morros mais acentuados.




GPS indicando 4.312 metros de altitude


Chegamos à Oruro às 15:40h e saímos dela as 16:20h após abastecermos e após termos entrado em uma estrada errada.

Às 18:50h, avistamos o Vulcão Illiman, cuja altitude é de 6.457mts e naquele momento estava a nossa direita, a 47Km de nós. O vulcão estava coberto de neve e rendeu várias fotos.



Às 19:10h chegamos à El Alto (1,5 milhão de habitantes), cidade vizinha à La Paz (2 milhões de habitantes). El Alto fica a 4.000mts de altitude e La Paz, onde passaríamos as próximas duas noites está a 3.600mts. Apesar de ser noite de Natal as ruas de El Alto estavam lotadas de gente, vans, carros, tudo muito bagunçado. Descobrimos que no trânsito de La Paz e El Alto não existem regras, quem tem mais coragem e a melhor bozina se sobressai, mesmo nós semáforos que só são respeitados quando a polícia está presente.
Centro de La Paz à noite


Chegamos no Hotel Glória às 21h após quase 2 horas de congestionamento. Não tínhamos a localização do hotel cadastrada no GPS, fazendo com que o Google Maps do Celular Blackberry fosse determinante para o encontrarmos. Apesar de ser La Paz uma cidade de 2 milhões de habitantes encontramos o Hotel na primeira tentativa, sem termos feito nenhum metro de deslocamento além do necessário.

Neste dia fizemos 570Km em 08:50h, a uma velocidade média de 65Km/h.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Mal da Altitude em Potosi (BOL)

O fato de estarmos na cidade mais alta do mundo, a 4.000mts de altitude nos deixou com reações das mais diversas: dor de cabeça, vômitos, falta de ar durante a noite, taquicardia, sangramento no nariz, tontura, raciocínio lento, sensação de já ter bebido umas e outras, ...

Realmente a experiência de ter ficado em Potosi não será esquecida por nós tão cedo. Daqui para diante teremos apenas estadas em cidades na casa de 3.500mts de altitude, e apesar de parecer pouca diferença em relação aos 4.000mts altera em muito as reações do organismo.

A 4.000mts de altitude, qualquer subida de escada, mesmo que seja um andar no hotel pode deixar qualquer um sem fôlego.

Pela informação obtida do guia que nós acompanhou na visita à mina de Cerro Rico, o time de futebol Cruzeiro, de Minas Gerais irá jogar em Potosi em breve. Haja preparo físico.

Leia mais sobre o Mal da Altitude e sobre como contorná-lo no tópico de nossa viagem ao Deserto do Atacama realizada em dez/2007.

Minas de Cerro Rico - Potosi (BOL)



24/12/2009 - Na noite anterior já havíamos contratato nossa visita às Minas de Cerro Rico, local que já é explorado há 465 anos ininterruptos.


Potosi tem 190 mil habitantes e apesar de apenas 8 mil deles trabalharem nas minas de Cerro Rico, 60% da população depende da economia gerada pelas mais de 500 minas existentes no local, todas em um mesmo cerro (morro), que atualmente tem 4.800mts de altitude, mas que já teve 5.100mts.

Nas minas extraem-se zinco, chumbo, cobre e principalmente estanho - metal que só está aqui pois os espanhóis na época da colonização o desprezaram.

O tour no interior do Cerro Rico, no meio do trabalho dos mineiros, acabou se tornando o maior atrativo de Potosi. O caminho é todo composto por labirintos de túneis estreitos, nós quais você deverá andar agachado ou engatinhar.

Além de conhecer a mina Morena (uma das 500 existentes), conhecemos o Tio Supay, a divindade criada pelos mineiros, representando a criatura dona do interior da terra. Em busca da proteção no trabalho, os mineiros fazem oferendas com álcool, cigarros de tabaco e folhas de coca.

Os mineiros chegam a ficar nas minas durante 10 horas por dia (sem intervalo) e crianças a partir de 12 anos podem ser vistas trabalhando no local. Para aguentar esta jornada eles chegar a mascar 80 folhas de coca ao mesmo tempo, acumulando-as na bochecha e renovando-as a cada 2 horas. Além disto fumam cigarro de tabaco negro sem filtro. No inverno tomam álcool puro com 96 graus.

Com certeza a visita foi uma experiência muito válida.






Entrada da Mina do Cerro Rico


O Cerro Rico


A entrada da mina Morena, na qual entramosMineiros brasileiros

Nossos guias Jorge e Joni

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