segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Consumo de combustível na Bolívia e Perú

Algo que tem nos deixado intrigados é o fato de que nossos 3 veículos (2 deles a gasolina e 1 a diesel) estarem fazendo médias de consumo muito diferentes do realizado no Brasil.

Como exemplo, no trecho entre La Paz e Cusco, enfrentando altitudes acima de 4.000mts, com trânsito engarrafado em La Paz e El Alto, muitas curvas antes de Copacabana e também de Cuzco, ainda acima verificamos consumo médio de 10,8Km/lt na Grand Vitara e na X-Terra, valores bem acima do que faríamos no Brasil, onde a Grand Vitara não passaria dos 9Km/lt.

Fica aí nossa dúvida: será o combustível brasileiro tão inferior ao combustível dos países hermanos ? Será que o efeito da altitude pode gerar consequência tão positiva aos veículos ?

Quanto à questão do combustível brasileiro, com exceção do Uruguai o Brasil possui o maior preço por litro de gasolina, sendo que na Bolívia, por exemplo, pagamos R$ 0,94 e no Perú R$ 1,50. Temos aí um duplo efeito em economia, além do combustível ser consideravelmente mais barato seu rendimento é bem maior.

Alguém tem algum palpite sobre o assunto ? Deixe seu comentário.

Viagem à Machu Picchu - De Copacabana (BOL) à Cuzco (PER)

27/12/2009 - Saímos de Copacabana por volta das 9h da manhã. A exemplo da entrada na Bolívia, o combustível em Copacabana era 100% maior do que o apresentado na bomba. Na bomba o valor era de B$ 3,74 e acabamos pagando B$ 7,48 sob o argumento de que em cidades de fronteira o imposto é maior para veículos estrangeiros.

Chegamos na Aduana Boliviana em Kanani, às 09:30h e os trâmites foram finalizados na Aduana Peruana às 10:30h. Nesta última encontramos afixado o adesivo da viagem feita pelo Xico Novak para Machu Picchu em Jan/08.





Adesivo da Expedição feita pelo Xico Novak



Na aduana do Perú mais uma vez nos exigiram a apólice da extensão de cobertura do seguro dos carros. Argumentamos que esta seria devida apenas para estadias no país superiores a 30 dias, mas logo percebemos que o policial da aduana queria um regalo (presente). Desta vez foi o Valmor que puxou a frente dando 2 bonés e uma camiseta amarela com logo da seleção brasileira, que minutos antes ele próprio autografara como "Ronaldo". Enfim estávamos liberados.

Fizemos câmbio de dólares para soles (moeda peruana) ali mesmo, no meio da rua, em uma tendinha que mais parecia uma banca de picolé.



"Casa de Câmbio"



No caminho para Puno fomos apreciando a vista do lago Titicaca que nos acompanhava ao lado direito.



Pouco depois de Ilave, pegamos um trecho de 20Km de asfalto bastante ruim. Chegamos a acreditar que esta seria uma realidade no Perú, mas por sorte o asfalto melhorou logo adiante.




Logo que cruzamos a fronteira Bolívia - Perú percebemos duas grandes mudanças: 1) não vimos mais crianças implorando por esmolas nas ruas; 2) passamos a ver pequenas propriedades com plantações e animais. Ao que tudo indicava teríamos uma viagem por um país mais próspero do que a Bolívia.




Chegamos em Puno às 13h e logo seguimos para o porto onde conheceríamos as Ilhas Flutuantes de Uros (haverá um tópico específico sobre esta visita que foi nota 10). Às 15:40h estávamos de volta à Puno, onde comemos truta no cais do porto.

Às 16:30h voltamos a pegar a estrada. Teríamos mais de 400Km para rodar ainda neste dia para chegarmos à Cusco.

Já as 17:10h passamos por Juliaca, cidade de 200 mil habitantes em que encontram-se as famosas motos Tuc-Tuc, no melhor estilo de Nova Dehli na Índia. Além das motos também bicicletas são utilizadas como táxi. O trânsito é bem conturbado no centro da cidade, apesar de ser domingo.



Por falar em domingo, neste dia completávamos 1 semana fora de casa, restando mais 2 semanas até retornarmos ao Brasil.

Próximo das 19h passamos ao lado do Pico Nevado Kunurana que tem altitude de 5.420mts.



Passamos por Abra La Raya, techo de percurso a 4.335mts. já à noite e naquele momento a temperatura externa era de 7 graus.

Chegamos à Cuzco às 22h e às 22:30h já estávamos no hotel no qual já tínhamos efetuado reserva anteriormente. Tivemos de deixar os carros em um estacionamento distante do hotel visto que no centro de Cusco além das ruas serem muito estreitas (sem lugar para estacionamento), onde passa apenas 1 carro por vez, também os prédios (e hotéis) não tem estacionamento.

Fuso Horário: até este momento de nossa viagem já temos uma diferença de horário em relação ao Brasil de 3 horas. A cada país em que passamos: Argentina, Bolívia e agora Perú, ajustamos nossos relógios para 1 hora a menos, totalizando então 3 horas.

Neste dia rodamos 530Km em 8 horas de viagem (não contando paradas e aduana), com uma velocidade média de 67,2Km/h.

Em quase toda nossa viagem neste dia, não baixamos de 3.800mts de altitude. Ao nos aproximarmos de Cusco enfrentamos muitas curvas, onde fomos serpenteando o Rio Urubamba que nasce na Abra La Raya e passa bem mais adiante por Águas Calientes em Machu Picchu.

Chegando em Cusco estávamos agora em praticamente 50% de nossa viagem, apesar de a volta ser mais comprida pois passaremos pelo litoral do Chile. Até aqui tínhamos rodado 3.900Km.

Isla do Sol e Copacabana (BOL)

26/12/2009 - Logo que chegamos ao Hotel Gloria em Copacabana, cidade de 25 mil habitantes, descobrimos que existem duas saídas diárias para a o passeio na Isla do Sol, ilha localizada no Lago Titicaca. Uma delas é às 08h da manhã e a outra às 13:30h.




O Titicaca (pronúncia Titi-háhá) é o lago navegável mais alto do mundo, com 3.812mts de altitude e faz a divisa da Bolívia e Peru. Aproximadamente 50% do lago pertence a cada um dos países.

A ilha tem 3 povoados: Yumani, o principal, no topo do morro ao sul; Challapampa, na costa norte, e Cha'lla, no centro-leste. Ao norte ficam as principais ruínas e as paisagens mais interessantes, enquanto o sul dispõe de maior infra-estrutura.









O passeio de barco saindo de Copacabana demora 1:30h e apesar de o dia estar ensolarado o vento frio nos assustou. Vale lembrar que a temperatura a 4.000mts de altitude é próxima dos 15 graus.

Na Isla del Sol vivem em torno de 3.500 pessoas cujo sustento é a agricultura, pesca e o turismo. A ilha tem 11Km de comprimento por 8Km de largura.



Para conhecer as atrações é necessária boa disposição para os mais de 400 degraus da escadaria existente na ilha.




Retornamos para o Hotel já por volta das 18h e à noite jantamos no restaurante do próprio hotel.

No dia 27/12 pela manhã conhecemos em Copacabana a Plaza 2 de Febrero, que tem à seu redor a Catedral de la Virgen de la Candelária, um dos mais exuberantes entre os grandes templos religiosos da Bolívia. O interior da igreja é realmente muito lindo, sendo concorrente à linda igreja de Salta na Argentina.




Nativo com a boca "entupida" de folhas de coca




Conhecemos também o Cerro Calvário, onde, ao longo de uma trilha que leva ao topo do morro, 14 cruzes marcam as estações da Via Crucis.




Copacabana seria a última cidade da Bolívia a ser conhecida por nós, daí entraremos no Perú.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Viagem à Machu Picchu - De La Paz (BOL) à Copacabana (BOL)

26/12/2009 - Saímos de La Paz por volta das 09h e nosso destino seria Copacabana, nas margens do Lago Titicaca, o Lago navegável mais alto do mundo.

Copacabana seria também a última cidade que ficariamos na Bolívia, ingressando no Perú no dia seguinte. Podemos dizer que com exceção da visita à Mina Cerro Rico em Potosi e ao Pico Chacaltaya não sentiremos saudades da Bolívia. A pobreza do país é digna de seu título: o mais pobre da América do Sul. Percebemos da população um grande amor por seu presidente Evo Moralles, representante do povo que foi reeleito dias atrás para mais 5 anos de mandato com 64% de aprovação.

A pobreza da Bolívia acreditamos tenha relação direta com sua geografia. Durante todos os dias que estivemos no país estivemos a uma altitude média acima de 3.500mts, onde preaticamente não existe vegetação, árvores e água. A herança indígena também é muito forte, dando a entender que como nos últimos 400 anos a população sempre viveu assim, outros 400 anos podem ser vividos da mesma forma.

Ao sair de La Paz, mais uma vez tivemos de enfrentar o trânsito infernal de El Alto, digno de uma cidade indiana, onde vale tudo, com a única diferença que na Índia existem vacas cruzando na pista e que os táxis Tuc-Tuc lá existentes dão lugar às Vans aqui na Bolívia, milhares delas.



No trecho que percorremos percebemos grandes filas nos Postos de Combustível motivadas pela falta de gasolina. Vimos inclusive um outdoor divulgando a transformação gratuíta dos carros para combustível à gás. Conseguimos avastecer no máximo B$ 50,00, algo em torno de 15 litros.

Seguimos em direção à Tiquina, já às margens do Lago Titicaca, onde pegaríamos uma balsa que faria a travessia do Lago para após chegarmos à Copacabana. Mais uma vez encontramos muitas crianças na estrada pedindo dinheiro.
Crianças correndo para pedir esmolas



Balsa às margens do Lago Titicaca


Chegamos no Hotel Glória, da mesma rede do hotel que ficamos em La Paz, às 13h e às 13:30h já iniciaria nosso passeio até a Ilha do Sol.

Ruta de La Muerte - Coroico (BOL)

25/12/2009 - A maioria das pessoas já viu imagens enviadas via email da Ruta de La Muerte, localizada entre La Paz e Coroico na Bolívia.

São imagens que demonstram grandes precipícios e túneis cavados nós morros, local em que os carros ficam à beira de cair.


Este foi nosso destino após visitar o Pico Chacaltaya.

Eram 15:30h quando cruzávamos La Paz com a Van alugada para seguir em direção à Coroico. Mais uma vez subestimamos o tempo de deslocamento em estradas a grandes altitudes (passamos o tempo todo viajando acima dos 4.000mts) e também de muitas curvas.


GPS indicando 4.625 metros de altitude


Chegamos ao início da Ruta de La Muerte às 17:15h e ali percebemos de nosso guia que ele não tinha certeza de que veríamos o que estávamos procurando (as imagens mencionadas acima). Como já estávamos cansados decidimos por voltar ao Hotel, onde chegamos pouco depois das 19:30h.


La Cumbe, a 4.800mts. de altitude



Esta imagem não chegamos a ver pois havia neblina em La Cumbe





Apesar de não termos concretizado nosso desejo de conhecer a Ruta de La Muerte, apreciamos a vista diferenciada do local, onde mesmo estando a mais de 4.000mts estávamos rodeados de grandes morros que deviam tem em torno de 5.000mts de altitude.

O local mais alto que chegamos neste percurso foi 4.800mts em La Cruce.

Apesar de fazermos menção constantemente das altitudes locais, não vemos a hora de voltar a ficar em algum lugar mais próximo do nível do mar, apesar de que isto ocorrerá somente daqui há uns 7 dias. Nossos organismos não estão na melhor de suas fases. A cada dia temos algum de nossos integrantes passando pelos impactos da altitude.

Pico Chacaltaya (BOL)

25/12/2009 - Apesar de termos visto reportagem na Rede Globo, no programa Fantástico, dizendo que já fazem mais de 10 anos que não nevava no Chacaltaya ficamos sabendo antes de nossa saída do Hotel que havia nevado no local nós últimos dias.

O Pico Chacaltaya já foi a estação de sky mais alta do mundo, a 5.300mts de altitude, e agora pela redução das chuvas na Bolívia a estação de sky já não funciona mais. Aproveitando o assunto, a Bolívia enfrenta um grande problema em sua infra-estrutura: a falta de água. Praticamente não encontramos na Bolívia postos de combustível (dos poucos que existem) que tivessem água. Os banheiros sempre estavam imundos e nossa preferência passou a ser fazer as necessidades na estrada.

Saímos em direção ao Chacaltaya às 12:30h em uma Van alugada por nós. Assim conseguimos ficar todas as 11 pessoas no mesmo veículo.


O acesso ao Pico não é dos mais fáceis e o motorista da Van procurou evitar trechos de congestionamento, passando por bairros de periferia. 45 minutos depois chegaríamos no acesso ao Chacaltaya, de onde ainda teríamos 16Km de estrada de terra em péssimas condições, onde normalmente passa apenas 1 carro por vez.


O Pico Chacaltaya está localizado na Cordilheira Real e fica ao lado do Huana Potosi, pico com 6.088mts de altitude e que estava coberto de neve.


As 13:45h chegamos no alto do Chacaltaya, a 5.300mts de altitude. Este seria o ponto em que atingiríamos a maior altitude em nossa viagem. Estava muito frio no alto do Pico, devendo a temperatura estas próxima ou abaixo de zero.






Foi neste momento que fomos abençoados: começou a nevar. Foi nosso presente de Natal. A neve perdurou um bom tempo e quando estávamos descendo o Pico, concluindo nossa visita, ainda estava nevando.




Do Chacaltaya seguimos em direção à La Paz, de onde iríamos conhecer a Ruta de La Muerte.



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