sábado, 26 de dezembro de 2009

Viagem à Machu Picchu - De Potosi (BOL) à La Paz (BOL)

24/12/2009 - Após a visita na mina de Cerro Rico em Potosi, seguimos viagem para La Paz às 11:20h.


Formações rochosas ao lado da estrada



Pouco antes das 13h, a 4.290mts. encontramos neve na estrada, 490Km antes de La Paz. Paramos para tirar algumas fotos e fazer alguns bonequinhos de neve.




A partir de Potosi até La Paz e depois até Copacabana passamos a presenciar uma cena que tornou-se comum: crianças pedindo dinheiro ao lado da estrada. Eram montes delas, pareciam que brotavam do chão pois não conseguiamos descobrir de onde elas vinham. Onde não se encontrava nenhum vilarejo ou casa lá estavam elas, geralmente em grupos de no mínimo 3. No pedágio em Ventilla, a 4.100mts de altitude as crianças se penduravam nós carros, batiam nós vidros, chingavam e ameaçavam tocar coisas contra os carros. Neste pedágio deviam haver umas 30 crianças rodeando nossos carros.




Imaginávamos que o trecho de Potosi à Oruro fosse fácil de ser vencido, considerando que pudéssemos desenvolver uma velocidade acima de 80Km/h. O que não contávamos era que houvessem tantas curvas, semelhante à Serra do Rio do Rastro e que com isto não conseguiriamos andar rápido. Outro fator a ser levado em conta é que a mais de 4.000mts de altitude os carros perdiam bastante de sua potência, caindo a velocidade para 40Km/h nas subidas de morros mais acentuados.




GPS indicando 4.312 metros de altitude


Chegamos à Oruro às 15:40h e saímos dela as 16:20h após abastecermos e após termos entrado em uma estrada errada.

Às 18:50h, avistamos o Vulcão Illiman, cuja altitude é de 6.457mts e naquele momento estava a nossa direita, a 47Km de nós. O vulcão estava coberto de neve e rendeu várias fotos.



Às 19:10h chegamos à El Alto (1,5 milhão de habitantes), cidade vizinha à La Paz (2 milhões de habitantes). El Alto fica a 4.000mts de altitude e La Paz, onde passaríamos as próximas duas noites está a 3.600mts. Apesar de ser noite de Natal as ruas de El Alto estavam lotadas de gente, vans, carros, tudo muito bagunçado. Descobrimos que no trânsito de La Paz e El Alto não existem regras, quem tem mais coragem e a melhor bozina se sobressai, mesmo nós semáforos que só são respeitados quando a polícia está presente.
Centro de La Paz à noite


Chegamos no Hotel Glória às 21h após quase 2 horas de congestionamento. Não tínhamos a localização do hotel cadastrada no GPS, fazendo com que o Google Maps do Celular Blackberry fosse determinante para o encontrarmos. Apesar de ser La Paz uma cidade de 2 milhões de habitantes encontramos o Hotel na primeira tentativa, sem termos feito nenhum metro de deslocamento além do necessário.

Neste dia fizemos 570Km em 08:50h, a uma velocidade média de 65Km/h.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Mal da Altitude em Potosi (BOL)

O fato de estarmos na cidade mais alta do mundo, a 4.000mts de altitude nos deixou com reações das mais diversas: dor de cabeça, vômitos, falta de ar durante a noite, taquicardia, sangramento no nariz, tontura, raciocínio lento, sensação de já ter bebido umas e outras, ...

Realmente a experiência de ter ficado em Potosi não será esquecida por nós tão cedo. Daqui para diante teremos apenas estadas em cidades na casa de 3.500mts de altitude, e apesar de parecer pouca diferença em relação aos 4.000mts altera em muito as reações do organismo.

A 4.000mts de altitude, qualquer subida de escada, mesmo que seja um andar no hotel pode deixar qualquer um sem fôlego.

Pela informação obtida do guia que nós acompanhou na visita à mina de Cerro Rico, o time de futebol Cruzeiro, de Minas Gerais irá jogar em Potosi em breve. Haja preparo físico.

Leia mais sobre o Mal da Altitude e sobre como contorná-lo no tópico de nossa viagem ao Deserto do Atacama realizada em dez/2007.

Minas de Cerro Rico - Potosi (BOL)



24/12/2009 - Na noite anterior já havíamos contratato nossa visita às Minas de Cerro Rico, local que já é explorado há 465 anos ininterruptos.


Potosi tem 190 mil habitantes e apesar de apenas 8 mil deles trabalharem nas minas de Cerro Rico, 60% da população depende da economia gerada pelas mais de 500 minas existentes no local, todas em um mesmo cerro (morro), que atualmente tem 4.800mts de altitude, mas que já teve 5.100mts.

Nas minas extraem-se zinco, chumbo, cobre e principalmente estanho - metal que só está aqui pois os espanhóis na época da colonização o desprezaram.

O tour no interior do Cerro Rico, no meio do trabalho dos mineiros, acabou se tornando o maior atrativo de Potosi. O caminho é todo composto por labirintos de túneis estreitos, nós quais você deverá andar agachado ou engatinhar.

Além de conhecer a mina Morena (uma das 500 existentes), conhecemos o Tio Supay, a divindade criada pelos mineiros, representando a criatura dona do interior da terra. Em busca da proteção no trabalho, os mineiros fazem oferendas com álcool, cigarros de tabaco e folhas de coca.

Os mineiros chegam a ficar nas minas durante 10 horas por dia (sem intervalo) e crianças a partir de 12 anos podem ser vistas trabalhando no local. Para aguentar esta jornada eles chegar a mascar 80 folhas de coca ao mesmo tempo, acumulando-as na bochecha e renovando-as a cada 2 horas. Além disto fumam cigarro de tabaco negro sem filtro. No inverno tomam álcool puro com 96 graus.

Com certeza a visita foi uma experiência muito válida.






Entrada da Mina do Cerro Rico


O Cerro Rico


A entrada da mina Morena, na qual entramosMineiros brasileiros

Nossos guias Jorge e Joni

Viagem à Machu Picchu - De Tupiza (BOL) à Potosi (BOL)

23/12/2009 - Saímos do Hotel Mitru em Tupiza às 08:20h. O Tussi já havia reparado o pneu um pouco mais cedo, em uma borracharia (gomeria) em que o proprietário era também advogado (abogado).


Fachada do Hotel Mitru em Tupiza
Praça em Tupiza

Passamos no posto de abastecimento local onde o combustivel na bomba estava a BOL$ 3,78 (R$ 0,94), mas o valor que seria cobrado de nós seria de BOL$ 6,05 pois segundo o frentista havia uma lei federal dizendo que em Vilazzon e Tupiza este era o valor a ser cobrado. Se fosse, porque este preço não estava na bomba ao invés de em um cartaz em folha A4 ? O Valmor abasteceu um pouco e seguimos viagem.

A esta hora haviam inúmeros ônibus saindo de Tupiza em direção ao sul, não sabemos se para a Argentina ou para o Salar de Uyuni.

Após termos rodado 86Km em estrada de terra (02:35h rodando e 03:10h de tempo dispendido) chegamos a Cotagaita. Este trecho foi um dos mais adequados aos praticantes de off-road 4X4 (muitos atoleiros e leitos de rios a serem atravessados). A partir de Cotagaita, a 2.700mts de altitude inicia-se o asfalto, muito bom por sinal.

Trecho antes do asfalto de Cotagaita
Trecho já asfaltado

Este asfalto vai até 95Km antes de Potosi, onde inicia-se novamente a estrada de terra que perdura 50Km, voltando o asfalto quando estávamos a 45Km de Potosi.

Às 13h passamos por Vitiche, a 3.017mts e distante 85Km de Potosi.

Às 14h atingimos 3.500mts na localidade de Cruce del Caica, distante 41Km de Potosi. Neste local aproveitamos para abastecer a um valor equivalente a R$ 0,94 o litro de gasolina. Abastecemos 53 litros (Márcio e Tussi) com R$ 50,00, fato que não acontece há muito tempo no Brasil. Em todo nosso percurso é normal não existir banheiro nos postos de combustivel e quando o tem estão fechados por falta de água. Aproveitamos nas proximidades para voltar a calibragem normal dos pneus e para passar uma água nos carros.


Moradores locais

Às 15h atingimos 4.000mts de altitude e neste local enfrentamos um pouco de chuva de granizo. A temperatura caiu para 8 graus, bastante diferente dos mais de 25 graus que fazia até então. Minutos após já estávamos a 4.200mts.

Às 16h chegamos à Potosi, cidade que segundo nós informaram é a mais alta do mundo. O Cerro Rico (mina de prata) que fica na entrada da cidade está a 4.160mts. e a cidade de Potosi está a 4.000mts.

Neste dia fizemos 255Km em 6 horas de viagem. Nossa velocidade média foi de apenas 42,4Km/h, parte pela estrada de chão, parte pelas subidas, decidas e curvas nos morros, geralmente a mais de 3.000mts de altitude.

Ficamos no Hotel Colonial, bem no centro da cidade. O hotel que antes era uma casa de família, foi construído entre 1610 e 1630. A diária foi de BOL$ 324,00 (R$ 81,00).


Área interna do Hostal Colonial


Após deixarmos as bagagens no Hotel decidimos por dar uma caminhada por Potosi e antecipar a janta para anteciparmos nosso horário de descanso.

Passeamos pela Praça, pela Casa da Moeda da Bolívia, que no passado produzia todas as moedas de prata para a Espanha e todas as suas colônias espanholas.


Fachada da casa da moeda


Jantamos no Pub Restaurant El Fogon. A comida é muito boa e vale a pena conhecer. Comemos bife de chorrizo, polo a milaneza, ternera a milaneza (muito picante), massa, ... O custo total foi de R$ 25,00 o casal.


Almoço e Jantar em Potosi


Comemorações de Natal na praça de Potosi

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Viagem à Machu Picchu - Estrada de Villazon (BOL) até Potosi (BOL)



22 e 23/12/09 - Quando planejamos nossa viagem sabíamos que ao entrar na Bolívia por La Quiaca e Villazon enfrentaríamos cerca de 180Km de estrada de chão. O que não sabíamos é que para chegar até Potosi, dos 355Km a percorrer seriam no total 230Km de estrada de terra, sendo que em praticamente todo o trecho é formado por desvios da estrada principal que está em "obras" (onde não se vê ninguém trabalhando), travessias em leitos de rios por vezes com boa quantidade de água, muita lama em alguns trechos e ainda por ônibus de excursões (ou de linha) que andam mais rápido do que nós, mesmo às 23h quando a visibilidade é muito pequena.

Logo na saída de Villazon tivemos de pagar pedágio. O estranho é que tivemos de pagar tanto do lado direito da rua como no esquerdo, isto sem tirar o carro do lugar. Isto aconteceu mais algumas vezes no caminho à Potosi, sendo que o ticket de Villazon tem sempre de ser apresentado nos demais pontos de pedágio.



Praça de pedágio de Villazon


Tendo rodado menos de 10 min. a partir de Villazzon já fizemos nossa primeira parada para troca de pneu da X-Terra do Tussi. Ele havia cortado o pneu pelo lado de dentro. Colocado o estepe seguimos viagem.


Eram 20h quando de fato iniciamos nosso percurso até Tupiza. Avaliamos que seria melhor fazer 90Km de terra neste dia (mesmo que à noite) e os demais 90Km no dia seguinte do que fazer todos os 180Km em um único dia.

Enfrentamos o trecho com coragem, mesmo em se tratando de uma estrada desconhecida, em um país desconhecido e como agravante, dirigindo à noite.

Durante o percurso, fomos descobrir que a chuva que caiu durante nossa estada na Aduana havia prejudicado alguns trechos da estrada, principalmente aqueles em que o leito do rio e a estrada são a mesma coisa, sendo que a água das chuvas carrega a areia/saibro da estrada com muita facilidade. Em certo local, distante 20Km de Potosi, por volta das 22h ficamos mais de 50 min. parados esperando que uma máquina recuperásse a estrada que passava dentro do leito do rio.

Combinamos de o Valmor seguir na frente e a Bea foi nossos olhos narrando pelos rádios PY o que vinha pela frente para os outros 2 carros que seguiam em meio à poeira, anunciando: buracos, desníveis, água, barro, carros no sentido contrário,...

Neste trecho nos surpreendeu a velocidade desenvolvida pelos ônibus e caminhões que simplesmente ignoram a existência de outros carros na pista.

Levamos 04:30h para percorrer os 99Km até Tupiza, lá chegando às 23:30h, a uma altitude de 2.350mts.

No dia seguinte seguimos viagem em direção à Potosi, 255Km adiante de Tupiza, dentre os quais 136Km de estrada de chão (acreditávamos que seriam apenas 90Km).


A estrada de chão inicial é de Villazon até Cotagaita, um pequeno povoado na região. E depois de ficarmos felizes por ingressarmos em um asfalto bom, sem buracos, a 95Km de Potosi enfrentamos mais 50Km de estrada de terra.

O visual que tem-se no caminho é recompensador, apesar da viagem ser por demais cansativa. No segundo dia passamos por muitos atoleiros e leitos de rio, mas sempre vencemos os desafios sem problemas e sem danos nos veículos. Quando abastecemos os carros em Cruce del Caica os carros estavam irreconhecíveis e mesmo com os faróis ligados quase não se via sua luz.

Brincamos com o Tussi que este foi seu debute em trilhas e estradas de chão. Vamos ver se ele pega gosto pela coisa.

Um dos trechos que enfrentamos


Desvio em virtude de um caminhão ter atolado na pista principal



Para quem fizer este trecho de carro não espere encontrar nenhuma infra-estrutura. Os únicos pontos de apoio (posto de combustível e borracharia) a partir de Villazon são em Tupiza e Cruce del Caica.

Ao final do dia 23/12/09 decidimos dormir em Potosi, a pouco mais de 4.000 metros de altitude, com certeza uma das cidades mais altas do mundo.


A aparência dos carros no meio do percurso

Aduana em La Quiaca (ARG) e Villazon (BOL)

22/12/09 - Este assunto merece um capítulo à parte pela forma como os fatos aconteceram.

Chegamos à Aduna às 16:50h e logo percebemos que deveriamos ter chegado mais cedo. O fluxo de ônibus entre os dois países é bastante intenso. Deduzimos que um dos motivos possa ser o Salar de Uyuni que fica na região de Potosi. Este fluxo gera filas enormes, pois a cada ônibus são mais de 40 pessoas para a Aduana.

Nos dividimos em 2 grupos: motoristas e veículos para um lado, agilizando a liberação dos veículos; e demais passageiros entraram na enorme fila da emigração. Nesta hora começara a chover, fazendo com que quem estivesse na fila tivesse de se proteger com capas de chuva.

Na liberação dos veículos apresentamos: documento dos veiculos e passaportes dos motoristas. Comentamos que éramos brasileiros à caminho de Machu Picchu e pedimos se havia outra forma dos demais passageiros fazerem os trâmites sem ter de esperar na fila e na chuva. A resposta foi negativa, dizendo que inclusive nós motoristas deveriamos passar ali depois.

Em relação à documentação dos veículos nos pediram a apólice da extensão do seguro dos veículos visto que as seguradoras não cobrem em suas apólices os sinistros ocorridos na Bolívia, Perú e Chile (fica aí um alerta para os viajantes). Dos 3 carros, 2 tinham efetuado o pagamento da extensão do seguro, mas não tinhamos conosco nem o comprovante do pagamento, nem a apólice deste ou do outro seguro. Começa aí nossa "novela".

A esta altura os demais passageiros dos veículos vieram até onde estávamos dizendo que alguém da Aduana tinha ido até o local da fila pedindo quem eram os brasileiros que estavam viajando nos 3 carros. Muito estranho. Agora havia surgido uma outra forma de fazer a emigração que não fosse fica aguardando na fila.

Na liberação dos carros começamos uma conversa dizendo que havíamos efetuado o pagamento da extensão do seguro no Brasil mas que não sabendo que era obrigatória esta comprovação não havíamos a trazido junto. A esta altura já haviam 2 policiais da Aduana nos atendendo, sendo que eles iam e voltavam, como que não dando muita atenção à nossa dificuldade. Éramos os únicos que fazíamos a Aduana de carro, os demais eram de ônibus e por isto ficamos no balcão do atendimento por aproximadamente 1 hora.

A solução dada por eles é que voltassemos algumas quadras e fizéssemos o seguro em uma corretora de seguros em La Quiaca. Insistimos dizendo que tínhamos feito o seguro, apenas não tínhamos conosco a comprovação.

A esta altura percebemos que poderiam haver segundas intenções por parte dos despachantes aduaneiros, buscando algum benefício próprio (propina). Comecei dizendo em espanhol que "nós temos boa vontade" e que "sabemos que vocês também tem". Perguntei se era possível pagar o seguro ali mesmo sem ter de ir até a seguradora. O despachante se fez de desententendido e se afastou do balcão.

Esta era a hora de arriscar. Puxei US$ 50,00 (pena não terem sido 50 pesos argentinos ou um valor menor) e coloquei-os abaixo da minha pasta em que estavam meus documentos. Apenas uma pequena face da nota ficou à mostra para que ele pudésse enxergar. Chamei-o de volta para o balcão e ele mordeu a isca (ou nós caímos na armadilha dele). Ele perguntou quanto era e completou dizendo que era necessário mais, para contemplar também seu companheiro de trabalho. Disse ele para dobrarmos o valor. Lá se foram US$ 100, mas enfim estávamos liberados para a etapa da emigração.

Atrás dos despachantes aduaneiros havia um cartaz dizendo "denuncie a corrupção dos despachantes aduaneiros", campanha esta movida pela Bolívia.

Fizemos a emigração e seguimos de carro uns 50mts para fazer a entrada (imigração na Bolívia). Ali o processo foi rápido pois o maior movimento era para sair da Bolívia.

Ao lado da Aduana havia uma passarela por onde várias pessoas (a maioria mulheres) carregavam sacos de 60Km de farinha do lado argentino para o lado boliviano. Segundo o policial da aduana boliviana o motivo é a falta de alimentos naquela região da Bolívia.



A farinha era trazida do lado argentino para o lado boliviano ...



... e carregada nos caminhões bolivianos


Duas horas depois de iniciarmos os procedimentos aduaneiros seguimos nossa viagem. A situação vivida na Aduana da Bolívia nos deixou decepcionados e tristes, afinal a corrupção não faz parte de nosso dia-a-dia.


Pouco antes de sairmos da Aduana conversei com o paulista com uma Defender que diz que acabou fazendo o seguro na corretora indicada em La Quiaca.

Se algum dos leitores quiser nos auxiliar pesquisando sobre o assunto "exigência de extensão de seguro na Bolívia e Peru" deixe sua contribuição para nós (que ainda teremos de passar pelo Perú) e também para outros viajantes.

Viagem à Machu Picchu - De Tilcara (ARG) à Tupiza (BOL)


Explicação sobre a Pucara de Tilcara


Na sequência visitamos o Museu Arqueológico Dr. Carlos Casanova que retrata um pouco a história da região.

As 10:45h, com o carro já abastecido no posto YPF local seguimos viagem em direção à Bolívia. No caminho registramos nossa passagem em Huancalera, localidade em que existe um marco do Trópico de Capricórnio.

Em todo o percurso que fazíamos nos acompanhava a paisagem típica da região: grandes vales (as chamadas "quebradas"), morros altos (mais altos do que os 2.500mts de altitude em que viajávamos), o leito do Rio Grande quase seco, morros das mais variadas cores e vegetação pobre, caracterizada basicamente por cáctus.

Chegamos em Humahuaca às 11:30h e logo seguimos para o centro do vilarejo. Nos chamou a atenção o grande fluxo de turistas. A Humauaca que havíamos conhecido em dez/2007 dava agora lugar a um polo turístico, embora com a mesma e pouca infra-estrutura de 2 anos atrás.

Logo nos dirigimos à praça central onde ao meio-dia apareceria a estátua de um santo São Franscisco na torre da municipalidad (prefeitura). Após subimos as escadarias do Monumento aos Heróis pela Independência, relativo ao período de 1810 a 1823.

Ao decermos as escadas coloquei-me à procurar a menina Abigail que foi nossa guia turística 2 anos atrás. Sua simpatia e "decoreba" sobre a história da cidade nos encantou na ocasião, dando inclusive vontade de a levarmos conosco ao Brasil. Pedi informações e em pouco tempo ela veio até nós, agora com 12 anos de idade. Seu discurso decorado continua o mesmo e todo nosso grupo reuniu-se em torno dela. Ganhei novos adeptos da idéia de levá-la ao Brasil, entre eles a Stella.

Na volta visitamos a igreja construida no ano de 1631 e que tem seu altar banhado a ouro.

Almoçamos em Humauaca no Restaurante Quinoa e às 14:40h retomamos nossa viagem.

No caminho paramos em Tres Cruces, a 3.700mts de altitude (15:30h). No local existe uma grande quebrada (vale de canions) de várias cores e formatos. Alguns metros adiante fomos atacados pela polícia que nos pediu nossa documentação.

Às 16:50h chegamos na Aduana de La Quiaca, fronteira com a Bolívia. Levamos 2 horas para fazer a Aduana e só foi possível seguirmos viagem utilizando-nos da prática de propina (corrupção), mas isto é assunto para um tópico específico visto ter sido uma experiência ímpar.

Saímos da Aduana, agora já em Villazon no lado Boliviano às 18:50h e logo fizemos câmbio a US$ 1,00 = B$ 6,95 (bolivianos).

Até este momento havíamos rodado exatos 200Km neste dia e fato que nos chamou a atenção foi a economia dos carros (consumo) visto que mesmo em um trecho acima de 3.000mts tivemos neste percurso a melhor economia. A Grand Vitara fez, por exemplo 10,2Km/lt, enquanto nos trechos anteriores fazia entre 8 e 9Km/lt. (considerando velocidades constantes na faixa de 140Km/h. Fica aí uma questão a ser respondida por nossos leitores: porque o fato de ter menos oxigênio nesta altitude melhora o desempenho dos carros ? É possível regular o carro para que no Brasil tenha desempenho semelhante ?

Saímos de Villazon em direção à Tupiza onde passaríamos à noite. Sabíamos que seriam 90Km de estrada de chão, só não imaginavamos que sairíamos da Aduana tão tarde, faltando apenas 1 hora para o pôr-do-sol.

Após pedirmos informações fomos até um posto de combustível para baixar a pressão dos pneus para que não sofrermos tanto com os solavancos da estrada de terra. Por fim saímos do posto às 19:25h e às 19:33h já tivemos de fazer nossa primeira parada pois a X-Terra dos Tussi estava com um pneu furado. Este trecho de Villazon à Tupiza e depois de Tupiza à Potosi também merecerá um capítulo à parte visto ter sido uma verdadeira aventura, fazendo juz ao título do site "Turismo e Aventura".

Chegamos à Tupiza às 23:30h, tendo levado 03:30h para percorrer 99Km. Estávamos exaustos. Neste dia percorremos 299Km em 06:05h, a uma velocidade média de 49Km/h, prejudicada pelo trecho da Bolívia.

Nos hospedamos no Hotel Mitru, a B$ 150,00 o casal, o equivalente a R$ 27,50. O hotel é muito bom e indicamos. Neste momento começamos a perceber como a moeda boliviana esta extremamente desvalorizada. Pode-se dizer que os preços de quase todos produtos locais são de 1/3 do valor do Brasil.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Viagem à Machu Picchu - De Corrientes (ARG) à Tilcara (ARG)

21/12/09 - Combinamos de nos encontrar para a saída às 08:30h no sagão do Hotel. Logo após o tradicional dasayuno (café da manhã) à base de croissant, suco de laranja e café com leite, eu e Léa saímos à procura de uma ferreteria (casa de ferragens) para comprar adaptadores para as tomadas, que na Argentina tem 3 pinos chatos, diferente do Brasil. No Hotel não haviam adaptadores e na noite anterior já haviamos procurado no Walt Mart e descobrimos que os mercados não podem vender este tipo de material, apenas as casas especializadas, as ferreterias.

Pino elétrico na Argentina


Saímos do Hotel pouco antes das 09h e seguimos até a Avenida Costaneira para tirar algumas fotos do Rio Paraná, o mesmo que passa pelas Cataratas do Iguacú. Neste local o rio tem aproximadamente 1,6Km de largura e é ele quem separa as cidades de Corrientes e Resistência e também ele que faz a divisa entre Argentina e Paraguai em todo o trecho que haviamos percorrido até aqui.


Vista do Hotel San Martin


Rio Paraná


Ponte sobre o Rio Paraná que liga Corrientes à Resistência



Após as fotos seguimos viagem tendo como destino San Salvador de Jujuy ou Tilcara, não sabíamos ainda e iríamos decidir conforme o ritmo da viagem. Jujuy tem mais de 200 mil habitantes e Tilcara apenas uns 4 mil, sendo a vantagem de Tilcara o fato de não levarmos tanto tempo circulando ou atravessando uma grande cidade e também a possibilidade de já fazermos uma aclimatação à altitude, já que Tilcara está a 2.400 mts e Jujuy não passa de 1.500 mts.

A viagem foi tranquila, parávamos para abastecer a cada 350Km visto ser esta a autonomia da Pajero do Valmor e já aproveitávamos para espichar as pernas.


O trânsito de veículos estava bem mais intenso do que quando passamos por aqui em Dez/07 e alguns trechos o alfalto já não estava tão bom. A vantagem é que já não havia estrada de chão nas proximidades de Pampa de Los Guanacos.

As 12:30h, 3 horas após termos saido de Corrientes, paramos em um posto Shell em Pampa del Inferno e lá percebeu-se um superaquecimento na Pajero do Valmor ocasionado por uma mangueira que estava perdendo água do radiador. Após um pequeno conserto tudo ficou bem. Como já conhecíamos este trecho da estrada sabíamos que não encontraríamos nenhum restaurante ou lancheria na estrada nos próximos 500Km e por isto aproveitamos e fizemos um "almoço" neste próprio posto Shell que tinha pizzas, sanduiches e biscoitos em sua mini praça de alimentação.


Lanche em Pampa del Inferno


Reparo na Pajero


Até a metade da tarde o GPS informava uma velocidade média de 101Km/h, fato este que somente é possível em estradas relativamente boas e que não apresentam grande trânsito. Algumas retas pelas quais passamos tinham mais de 25Km de comprimento. Frequentemente rodávamos na casa dos 140Km/h.


Retas no Chaco Argentino


Passamos por postos policiais algumas vezes e tudo correu bem. Em nenhuma delas pediram para ver nenhum documento ou abrir o porta-malas. Estavam todos simpáticos, até mesmo o policial da localidade de Pampa de Los Guanacos (passamos lá às 14h) que nos havia pedido "una plata para cidra" 2 anos atrás. Alguns vendo o adesivo "Expedição Machu Picchu" até desejaram boa viagem.


Polícia de Pampa de Los Guanacos


Como puxei a frente dos outros 2 carros durante todo o dia tive a incumbência de "limpar a pista" quando encontravámos animais (cabras, porcos, vacas, cavalos) em travessia. O primeiro carro é também aquele que faz com que os pássaros na pista levantem voo e com isto acabamos acertando 5 durante o dia, sendo 4 contra o para-brisas da Grand Vitara.


Animais na pista


Ao final do dia (19:20h) chegamos à San Salvador de Jujuy. Alguns kilometros antes, em Pampalá a rodovia principal estava bloqueada por manifestantes (funcionários públicos federais) e tivemos de fazer um longo desvio para após novamente retornarmos à rodovia. A esta altura já estava decidido que faríamos 80Km mais e iríamos dormir em Tilcara.


Pista interrompida em virtude de um protesto


A partir de Jujuy começamos uma subida mais acentuada. Jujuy fica a 1.300mts. de altitude em relação ao nível do mar e logo depois de passarmos por ela alcançamos 1.400, 1.500, 1.600mts, até chegarmos a Tilcara às 20:45 com 2.430mts. Estávamos a 212Km de La Quiaca, cidade que faz a divisa com a Bolívia.

O Rio Grande que 2 anos atrás estava completamente seco apresentava agora um pouco de água, demonstrando que as chuvas na região já estavam ocorrendo. Durante o dia de hoje o céu estava nublado, com teperatura próxima a 34 graus. Já próximo de Jujuy pegamos um pequeno chuvisqueiro e após Jujuy enfrentamos uma densa neblina que prejudicou um pouco a visão do vale. Paramos no Mirador de Leon para apreciar o vale do Rio Grande.


Rio Grande visto do Mirador Leon


Saímos para jantar Lomo de Llama em um restaurante próximo do hotel. Nos hospedamos no Hotel de Turismo de Tilcara, o mesmo que já haviamos ficado anteriormente. Diária de $ 135,00 (R$ 67,00).

Neste dia percorremos 950Km em 10h de deslocamento. A velocidade média do dia atingiu 95,9Km/h.

Seguidores