22/12/09 - Este assunto merece um capítulo à parte pela forma como os fatos aconteceram.

Chegamos à Aduna às 16:50h e logo percebemos que deveriamos ter chegado mais cedo. O fluxo de ônibus entre os dois países é bastante intenso. Deduzimos que um dos motivos possa ser o Salar de Uyuni que fica na região de Potosi. Este fluxo gera filas enormes, pois a cada ônibus são mais de 40 pessoas para a Aduana. 
Nos dividimos em 2 grupos: motoristas e veículos para um lado, agilizando a liberação dos veículos; e demais passageiros entraram na enorme fila da emigração. Nesta hora começara a chover, fazendo com que quem estivesse na fila tivesse de se proteger com capas de chuva.
Na liberação dos veículos apresentamos: documento dos veiculos e passaportes dos motoristas. Comentamos que éramos brasileiros à caminho de Machu Picchu e pedimos se havia outra forma dos demais passageiros fazerem os trâmites sem ter de esperar na fila e na chuva. A resposta foi negativa, dizendo que inclusive nós motoristas deveriamos passar ali depois.
Em relação à documentação dos veículos nos pediram a apólice da extensão do seguro dos veículos visto que as seguradoras não cobrem em suas apólices os sinistros ocorridos na Bolívia, Perú e Chile (fica aí um alerta para os viajantes). Dos 3 carros, 2 tinham efetuado o pagamento da extensão do seguro, mas não tinhamos conosco nem o comprovante do pagamento, nem a apólice deste ou do outro seguro. Começa aí nossa "novela".
A esta altura os demais passageiros dos veículos vieram até onde estávamos dizendo que alguém da Aduana tinha ido até o local da fila pedindo quem eram os brasileiros que estavam viajando nos 3 carros. Muito estranho. Agora havia surgido uma outra forma de fazer a emigração que não fosse fica aguardando na fila.
Na liberação dos carros começamos uma conversa dizendo que havíamos efetuado o pagamento da extensão do seguro no Brasil mas que não sabendo que era obrigatória esta comprovação não havíamos a trazido junto. A esta altura já haviam 2 policiais da Aduana nos atendendo, sendo que eles iam e voltavam, como que não dando muita atenção à nossa dificuldade. Éramos os únicos que fazíamos a Aduana de carro, os demais eram de ônibus e por isto ficamos no balcão do atendimento por aproximadamente 1 hora.
A solução dada por eles é que voltassemos algumas quadras e fizéssemos o seguro em uma corretora de seguros em La Quiaca. Insistimos dizendo que tínhamos feito o seguro, apenas não tínhamos conosco a comprovação.
A esta altura percebemos que poderiam haver segundas intenções por parte dos despachantes aduaneiros, buscando algum benefício próprio (propina). Comecei dizendo em espanhol que "nós temos boa vontade" e que "sabemos que vocês também tem". Perguntei se era possível pagar o seguro ali mesmo sem ter de ir até a seguradora. O despachante se fez de desententendido e se afastou do balcão.
Esta era a hora de arriscar. Puxei US$ 50,00 (pena não terem sido 50 pesos argentinos ou um valor menor) e coloquei-os abaixo da minha pasta em que estavam meus documentos. Apenas uma pequena face da nota ficou à mostra para que ele pudésse enxergar. Chamei-o de volta para o balcão e ele mordeu a isca (ou nós caímos na armadilha dele). Ele perguntou quanto era e completou dizendo que era necessário mais, para contemplar também seu companheiro de trabalho. Disse ele para dobrarmos o valor. Lá se foram US$ 100, mas enfim estávamos liberados para a etapa da emigração.
Atrás dos despachantes aduaneiros havia um cartaz dizendo "denuncie a corrupção dos despachantes aduaneiros", campanha esta movida pela Bolívia.
Fizemos a emigração e seguimos de carro uns 50mts para fazer a entrada (imigração na Bolívia). Ali o processo foi rápido pois o maior movimento era para sair da Bolívia.
Ao lado da Aduana havia uma passarela por onde várias pessoas (a maioria mulheres) carregavam sacos de 60Km de farinha do lado argentino para o lado boliviano. Segundo o policial da aduana boliviana o motivo é a falta de alimentos naquela região da Bolívia.

A farinha era trazida do lado argentino para o lado boliviano ...

... e carregada nos caminhões bolivianos
Duas horas depois de iniciarmos os procedimentos aduaneiros seguimos nossa viagem. A situação vivida na Aduana da Bolívia nos deixou decepcionados e tristes, afinal a corrupção não faz parte de nosso dia-a-dia.
Pouco antes de sairmos da Aduana conversei com o paulista com uma Defender que diz que acabou fazendo o seguro na corretora indicada em La Quiaca.
Se algum dos leitores quiser nos auxiliar pesquisando sobre o assunto "exigência de extensão de seguro na Bolívia e Peru" deixe sua contribuição para nós (que ainda teremos de passar pelo Perú) e também para outros viajantes.