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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Viagem à Machu Picchu - Estrada de Villazon (BOL) até Potosi (BOL)



22 e 23/12/09 - Quando planejamos nossa viagem sabíamos que ao entrar na Bolívia por La Quiaca e Villazon enfrentaríamos cerca de 180Km de estrada de chão. O que não sabíamos é que para chegar até Potosi, dos 355Km a percorrer seriam no total 230Km de estrada de terra, sendo que em praticamente todo o trecho é formado por desvios da estrada principal que está em "obras" (onde não se vê ninguém trabalhando), travessias em leitos de rios por vezes com boa quantidade de água, muita lama em alguns trechos e ainda por ônibus de excursões (ou de linha) que andam mais rápido do que nós, mesmo às 23h quando a visibilidade é muito pequena.

Logo na saída de Villazon tivemos de pagar pedágio. O estranho é que tivemos de pagar tanto do lado direito da rua como no esquerdo, isto sem tirar o carro do lugar. Isto aconteceu mais algumas vezes no caminho à Potosi, sendo que o ticket de Villazon tem sempre de ser apresentado nos demais pontos de pedágio.



Praça de pedágio de Villazon


Tendo rodado menos de 10 min. a partir de Villazzon já fizemos nossa primeira parada para troca de pneu da X-Terra do Tussi. Ele havia cortado o pneu pelo lado de dentro. Colocado o estepe seguimos viagem.


Eram 20h quando de fato iniciamos nosso percurso até Tupiza. Avaliamos que seria melhor fazer 90Km de terra neste dia (mesmo que à noite) e os demais 90Km no dia seguinte do que fazer todos os 180Km em um único dia.

Enfrentamos o trecho com coragem, mesmo em se tratando de uma estrada desconhecida, em um país desconhecido e como agravante, dirigindo à noite.

Durante o percurso, fomos descobrir que a chuva que caiu durante nossa estada na Aduana havia prejudicado alguns trechos da estrada, principalmente aqueles em que o leito do rio e a estrada são a mesma coisa, sendo que a água das chuvas carrega a areia/saibro da estrada com muita facilidade. Em certo local, distante 20Km de Potosi, por volta das 22h ficamos mais de 50 min. parados esperando que uma máquina recuperásse a estrada que passava dentro do leito do rio.

Combinamos de o Valmor seguir na frente e a Bea foi nossos olhos narrando pelos rádios PY o que vinha pela frente para os outros 2 carros que seguiam em meio à poeira, anunciando: buracos, desníveis, água, barro, carros no sentido contrário,...

Neste trecho nos surpreendeu a velocidade desenvolvida pelos ônibus e caminhões que simplesmente ignoram a existência de outros carros na pista.

Levamos 04:30h para percorrer os 99Km até Tupiza, lá chegando às 23:30h, a uma altitude de 2.350mts.

No dia seguinte seguimos viagem em direção à Potosi, 255Km adiante de Tupiza, dentre os quais 136Km de estrada de chão (acreditávamos que seriam apenas 90Km).


A estrada de chão inicial é de Villazon até Cotagaita, um pequeno povoado na região. E depois de ficarmos felizes por ingressarmos em um asfalto bom, sem buracos, a 95Km de Potosi enfrentamos mais 50Km de estrada de terra.

O visual que tem-se no caminho é recompensador, apesar da viagem ser por demais cansativa. No segundo dia passamos por muitos atoleiros e leitos de rio, mas sempre vencemos os desafios sem problemas e sem danos nos veículos. Quando abastecemos os carros em Cruce del Caica os carros estavam irreconhecíveis e mesmo com os faróis ligados quase não se via sua luz.

Brincamos com o Tussi que este foi seu debute em trilhas e estradas de chão. Vamos ver se ele pega gosto pela coisa.

Um dos trechos que enfrentamos


Desvio em virtude de um caminhão ter atolado na pista principal



Para quem fizer este trecho de carro não espere encontrar nenhuma infra-estrutura. Os únicos pontos de apoio (posto de combustível e borracharia) a partir de Villazon são em Tupiza e Cruce del Caica.

Ao final do dia 23/12/09 decidimos dormir em Potosi, a pouco mais de 4.000 metros de altitude, com certeza uma das cidades mais altas do mundo.


A aparência dos carros no meio do percurso

Aduana em La Quiaca (ARG) e Villazon (BOL)

22/12/09 - Este assunto merece um capítulo à parte pela forma como os fatos aconteceram.

Chegamos à Aduna às 16:50h e logo percebemos que deveriamos ter chegado mais cedo. O fluxo de ônibus entre os dois países é bastante intenso. Deduzimos que um dos motivos possa ser o Salar de Uyuni que fica na região de Potosi. Este fluxo gera filas enormes, pois a cada ônibus são mais de 40 pessoas para a Aduana.

Nos dividimos em 2 grupos: motoristas e veículos para um lado, agilizando a liberação dos veículos; e demais passageiros entraram na enorme fila da emigração. Nesta hora começara a chover, fazendo com que quem estivesse na fila tivesse de se proteger com capas de chuva.

Na liberação dos veículos apresentamos: documento dos veiculos e passaportes dos motoristas. Comentamos que éramos brasileiros à caminho de Machu Picchu e pedimos se havia outra forma dos demais passageiros fazerem os trâmites sem ter de esperar na fila e na chuva. A resposta foi negativa, dizendo que inclusive nós motoristas deveriamos passar ali depois.

Em relação à documentação dos veículos nos pediram a apólice da extensão do seguro dos veículos visto que as seguradoras não cobrem em suas apólices os sinistros ocorridos na Bolívia, Perú e Chile (fica aí um alerta para os viajantes). Dos 3 carros, 2 tinham efetuado o pagamento da extensão do seguro, mas não tinhamos conosco nem o comprovante do pagamento, nem a apólice deste ou do outro seguro. Começa aí nossa "novela".

A esta altura os demais passageiros dos veículos vieram até onde estávamos dizendo que alguém da Aduana tinha ido até o local da fila pedindo quem eram os brasileiros que estavam viajando nos 3 carros. Muito estranho. Agora havia surgido uma outra forma de fazer a emigração que não fosse fica aguardando na fila.

Na liberação dos carros começamos uma conversa dizendo que havíamos efetuado o pagamento da extensão do seguro no Brasil mas que não sabendo que era obrigatória esta comprovação não havíamos a trazido junto. A esta altura já haviam 2 policiais da Aduana nos atendendo, sendo que eles iam e voltavam, como que não dando muita atenção à nossa dificuldade. Éramos os únicos que fazíamos a Aduana de carro, os demais eram de ônibus e por isto ficamos no balcão do atendimento por aproximadamente 1 hora.

A solução dada por eles é que voltassemos algumas quadras e fizéssemos o seguro em uma corretora de seguros em La Quiaca. Insistimos dizendo que tínhamos feito o seguro, apenas não tínhamos conosco a comprovação.

A esta altura percebemos que poderiam haver segundas intenções por parte dos despachantes aduaneiros, buscando algum benefício próprio (propina). Comecei dizendo em espanhol que "nós temos boa vontade" e que "sabemos que vocês também tem". Perguntei se era possível pagar o seguro ali mesmo sem ter de ir até a seguradora. O despachante se fez de desententendido e se afastou do balcão.

Esta era a hora de arriscar. Puxei US$ 50,00 (pena não terem sido 50 pesos argentinos ou um valor menor) e coloquei-os abaixo da minha pasta em que estavam meus documentos. Apenas uma pequena face da nota ficou à mostra para que ele pudésse enxergar. Chamei-o de volta para o balcão e ele mordeu a isca (ou nós caímos na armadilha dele). Ele perguntou quanto era e completou dizendo que era necessário mais, para contemplar também seu companheiro de trabalho. Disse ele para dobrarmos o valor. Lá se foram US$ 100, mas enfim estávamos liberados para a etapa da emigração.

Atrás dos despachantes aduaneiros havia um cartaz dizendo "denuncie a corrupção dos despachantes aduaneiros", campanha esta movida pela Bolívia.

Fizemos a emigração e seguimos de carro uns 50mts para fazer a entrada (imigração na Bolívia). Ali o processo foi rápido pois o maior movimento era para sair da Bolívia.

Ao lado da Aduana havia uma passarela por onde várias pessoas (a maioria mulheres) carregavam sacos de 60Km de farinha do lado argentino para o lado boliviano. Segundo o policial da aduana boliviana o motivo é a falta de alimentos naquela região da Bolívia.



A farinha era trazida do lado argentino para o lado boliviano ...



... e carregada nos caminhões bolivianos


Duas horas depois de iniciarmos os procedimentos aduaneiros seguimos nossa viagem. A situação vivida na Aduana da Bolívia nos deixou decepcionados e tristes, afinal a corrupção não faz parte de nosso dia-a-dia.


Pouco antes de sairmos da Aduana conversei com o paulista com uma Defender que diz que acabou fazendo o seguro na corretora indicada em La Quiaca.

Se algum dos leitores quiser nos auxiliar pesquisando sobre o assunto "exigência de extensão de seguro na Bolívia e Peru" deixe sua contribuição para nós (que ainda teremos de passar pelo Perú) e também para outros viajantes.

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