Mostrando postagens com marcador Bolívia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bolívia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de março de 2010

Expedição de Carro para Machu Picchu e Deserto do Atacama

De: Nova Petrópolis - Rio Grande do Sul
Para: Machu Picchu - Perú
Distância Percorrida: 9.000Km
Período: de 20/12/2009 à 08/01/2010
Quantidade de pessoas e veículos: 11 pessoas em 3 veículos


Comentários: Desta vez realizamos uma das aventuras que fazem parte do imaginário de muitas pessoas: conhecer o santuário de Machu Picchu no Perú. A diferença é que a maioria das pessoas vai de avião até Lima e de lá segue para Cuzco de carro ou também de avião e nossa expedição de carro percorreu 9.000Km e passou por 5 países: Brasil, Argentina, Bolívia, Perú e Chile.

Uma viagem deste tipo sempre gera muitas expectativas e exige um pequeno planejamento prévio para definir-se em quais estradas rodar, em que cidades dormir, quais os pontos "turísticos" a conhecer e outros tantos dados fundamentais para que a viagem transcorra com tranquilidade. Todas as informações que foram relevantes para nós estão aqui transcritas permitindo que outros viajantes percorram o mesmo roteiro já com algumas informações "mastigadas".

Para visualizar as postagens de nossa aventura clique sobre os links abaixo e viaje conosco. Não deixe de registrar seus comentários sempre que possível. Acredite, são os comentários deixados por novos viajantes que nos inspiram para continuar registrando nossas aventuras neste blog.


Planejamento da viagem:

A viagem:

Veja o Tracklog da viagem. Arquivo para ser visto no Google Earth:

Dicas importantes para a viagem:


Planejamento Prévio: Este é o planejamento prévio de nossa viagem de carro do Rio Grande do Sul para Machu Picchu no Peru realizada em Dezembro/2009. A saída ocorreu no dia 20/12/2009 e ficamos fora por aproximadamente 20 dias. Os trajetos abaixo indicam as distâncias entre as cidades que dispõe de boa estrutura de hospedagem e que ficam no roteiro.

Roteiro a ser percorrido:
  • Trajeto 1 - De Nova Petrópolis (RS) à Posadas (ARG). Independente do local de travessia da fronteira Brasil - Argentina, sendo por São Borja ou Porto Mauã, temos até a RN120, cruzamento com a RN12 em Posadas 11 horas de viagem e 760Km.

  • Trajeto 2 - De Posadas (ARG) até Corrientes (ARG): são mais 260Km e mais 03:30h de viagem.

  • Trajeto 3 - De Corrientes (ARG) à Roque Saenz Pena (ARG). são 185Km e 2:15h de viagem.

  • Trajeto 4 - De Roque Saenz Pena (ARG) até San Salvador de Jujuy (ARG): são 685Km e 08:30h de viagem.

  • Trajeto 5 - De San Salvador de Jujuy (ARG) até Humahuaca (ARG). Após 130Km de Jujuy passaremos por Humahuaca (02h viagem), a última cidade do roteiro de ida que já é conhecida por nós (até este ponto estaremos fazendo o mesmo roteiro de quando fomos para o Deserto do Atacama em dez/07). Estaremos entrando na Cordilheira dos Andes chegando a 3.000mts de altitude. Neste trecho poderemos visitar as Ruinas del Pukara em Tilcara

  • Trajeto 6: De Humahuaca (ARG) até Tupiza (BOL): Percorrendo mais 170Km após Humahuaca estaremos ingressando na Bolívia. Mesmo antes de ingressarmos na Bolívia não estaremos mais rodeados pela Cordilheira dos Andes e sim estaremos andando sobre ela, em uma grande planície, a 3.500mts. de altitude, antes das altitudes subirem ainda mais e voltarmos a estar rodeados pela Cordilheira. A partir da divisa, (cidades de La Quiaca e Villazon) enfrentaremos aproximadamente 200Km de estrada de terra, até aproximadamente Cotagaita. Neste percurso, após 91Km da divisa dos dois países chegamos a Tupiza, onde provavelmente passaremos a noite. Neste trajeto temos 430Km percorridos, sendo que entre a La Quiaca e Tupiza enfrentaremos 91Km de estrada de terra.
  • Trajeto 7 - De Tupiza (BOL) até Potosi (BOL): 255Km após Tupiza chegamos a Potosi, cidade de mais de 200 mil habitantes, situada a 4.000mts. de altitude. De Tupiza a Cotagaita (aproximadamente 90Km) rodaremos em estrada de terra. Potosi foi uma das mais ricas cidades do mundo no século 17, fruto de uma antiga mina de prata que chegou a ser a maior do ocidente. Existem visitas guiadas (uma pela manhã e outra à tarde) para as Minas de Cerro Rico.
  • Trajeto 8 - De Potosi (BOL) até Oruro (BOL): É em Potosi que fica o Salar de Uyuni, a maior planície salgada do mundo. O Salar fica a 210Km de Potosi e o trajeto pode ser feito de trem que atravessa grandes altitudes (partindo de Oruro), em meio às montanhas do altiplano. Após 275Km chegamos a Oruro, cidade conhecida por seu carnaval e ponto de partida do trem para o Salar de Uyuni (veja os horários). De carro de Oruro até Uyuni informações da internet indicam serem necessárias 7 horas de viagem devido à precariedade da estrada.

  • Trajeto 9 - De Oruro (BOL) até La Paz (BOL). São 210Km de viagem em 02:30h. Em La Paz (a capital mais alta do mundo, a 3.650mts) vale a pena conhecer o Valle de La Luna e o Pico Chacaltaya que fica a 5.421mts. (a mais alta estação de esqui do mundo) e distante apenas 30Km de La Paz, situado na Cordilheira Real, cadeia integrada à Cordilheira dos Andes (informações indicam tratar-se de 2 horas de viagem a partir de La Paz). Distante 100Km de La Paz está também a Ruta de La Muerte, famosa por suas imagens de carros que transitam à beira de imensos precipícios.

  • Trajeto 10 - De La Paz (BOL) até Copacabana (BOL). Este trecho compreende 150Km (2h), passando-se pela Rodovia 2 e cruzando o Lago Titicaca de balsa. Copacabana é a principal cidade do entorno do Lago Titicaca, lago navegável de maior altitude do mundo e o 2º maior da América do Sul (perde apenas para o Maracaibo na Venezuela). A partir de Copacabana pode-se visitar a Ilha do Sol, a maior ilha do lago, com 14,3Km2.

  • Trajeto 11 - De Copacabana (BOL) até Puno (PERU): percurso de 130Km. Puno também está as margens do Lago Titicaca, a 3.900mts. de altitude, mas no lado Peruano do lago. A partir de Puno pode-se visitar as Ilhas Flutuantes de Uros, construídas sobre plantas semelhantes à juncos. A viagem de barco dura 30 minutos.

  • Trajeto 12 - De Puno (Peru) até Cuzco (Peru). Neste trajeto percorremos 390Km em 05:30h. Em Cuzco conheceremos a Plaza de Armas, Iglesia Sagrada Família, Museu Inca. Cuzco é considerada a cidade habitada mais antiga do continente, intitulada a "capital arqueológica da América". É considerada também a mais bonita cidade do Perú. Neste percurso, 212Km após Puno chegaremos à Abra La Raya, onde atingiremos 4.335mts de altitude em um dos locais mais altos de nossa viagem de ida. No caminho conheceremos o Templo Raqchi Wiracocha, em Huacarpay visualizaremos o Vale do Rio Urubamba e logo após o Parque Arqueológico de Tipón, um lugar de grandes fontes de água e um dos mais importantes complexos de arquitetura de Cusco.

  • Trajeto 13 - Vale Sagrado dos Incas (Cuzco): Fica na região do Rio Urubamba e lá pode-se conhecer 4 ruínas incas: Tambomachay, Saqssaywaman (a mais interessante das ruínas), Qenqo e Puka Pukara. Indica-se também compras de produtos indígenas em Pisac, a 30Km de Cuzco que oferece ainda uma imperdível vista do vale (Morro Intihuatana). No Vale Sagrado dos Incas, Ollantaytambo é a única cidade inca do Peru ainda habitada e a mais bem conservada. O trajeto completo do Vale Sagrado dos Incas é de 180Km.

  • Trajeto 14 - Machu Picchu: distante 112Km via férrea, Machu Picchu fica a 2.450mts. de altitude. Para chegar até lá existe a opção de ir de trem a partir de Cuzco (estação São Pedro) ou a partir de Ollantaytambo. A cidade mais próxima é Águas Calientes, local em que chegam os trens e de onde partem os ônibus para Machu Picchu. Em Machu Picchu existe também a possibilidade de conhecer Huayana Picchu, o pico mais alto do parque e no qual apenas 400 pessoas por dia podem subir.
  • Trajeto 15 - De Cuzco à Arequipa: distante 609Km, onde retornamos de Cuzco em direção ao sul por 345Km (rodovia que segue para Puno) e na localidade de Juliaca seguimos em direção oeste por 250Km até Arequipa, que fica a 2300 metros de altitude, estendendo-se numa área de oásis localizada num vale das montanhas desérticas da Cordilheira dos Andes, e rodeada por vários picos, entre os quais o de Vulcão Misti, com cerca de 5822 metros de altitude, distante 18Km de Arequipa. A cidade tem aproximadamente 1 milhão de habitantes. Arequipa fica 115Km distante do Oceano Pacífico (cidade de Islay).
  • Trajeto 16 - De Arequipa à Arica: percurso de 426Km, onde chegaremos à divisa entre Peru e Chile, representada pelas cidades de Tacna e Arica. Arica é região de zona franca e possui ótima estrutura para seus visitantes. Arica tem grande importância histórica pois era através de seu porto que era escoada a produção de prata de Potosi. Arica foi também uma importante região durante a Guerra do Pacífico.
  • Trajeto 17 - De Arica à Iquique: 310Km de trajeto. Iquique é famosa por seus monumentos nacionais e suas praias, sendo as mais importantes Primeras Piedras, Brava, Cavancha e Huayquique. Em Iquique está localizada a maior e mais importante Zona Franca da América Latina.
  • Trajeto 18 - De Iquique à Calama: este trecho de 390Km pode ser feito com a mesma distância seguindo-se pelo litoral (via Tocopilla na Ruta 1) ou utilizando-se a Ruta 5 que corre aproximadamente 55Km distante do litoral a aproximadamente 1.000 metros do nível do mar. Neste trajeto, 17Km antes de Calama encontra-se a Mina de Chuquicamata, a maior mina de cobre a céu aberto do mundo.
  • Trajeto 19 - De Calama à São Pedro de Atacama: distância 100Km. Leia sobre o Deserto de Atacama no link, especificamente nos relatos dos dias 6, 7 e 8.
  • Trajeto 20 - De São Pedro de Atacama à San Salvador de Jujuy: percorrendo 475Km estaremos novamente em San Salvador de Jujuy, passando por Susquez, Costa de Lipan e Purmamarca. Veja mais sobre este percurso no link. Temos também a opção de neste dia irmos até Salta, distante 85Km de Jujuy via Ruta 9.

Este é o esboço da viagem, já considerando todos os pontos que deverão ser visitados no percurso, independente desta visita ocorrer na ida ou na volta.

Simulação de datas do percurso:

  • 20/12/09 - De Nova Petrópolis à Corrientes: 1.020Km
  • 21/12 - De Corrientes à San Salvador de Jujuy: 870Km
  • 22/12 - De San Salvador de Jujuy à Tupiza: 430Km
  • 23/12 - De Tupiza à Oruro: 571Km
  • 24/12 - De Oruro à La Paz: 254Km
  • 25/12 - Dia em La Paz - passeio pelo Chacaltaya e Valle de La Luna
  • 26/12 - De La Paz à Copacabana: 155Km
  • 27/12 - De Copacabana à Cuzco: 520Km
  • -----------------------------------------------------------------------
  • 28/12 - Conheceremos Machu Picchu - trem de Ollantaytambo para Aguas Calientes as 08:53h com o trem Backpacker.
  • 29/12 - Retorno de Machu Picchu - trem de Aguas Calientes para Ollantaytambo as 10:55h com o trem Vistadome Valley.
  • 29/12 - Passeio pelo Vale Sagrado dos Incas: 180Km
  • 30/12 - City Tour em Cuzco
  • 31/12 - Dia livre em Cuzco
  • -----------------------------------------------------------------------
  • 01/01/2010 - De Cuzco à Arequipa: 609Km
  • 02/01 - De Arequipa à Iquique: 736Km
  • 03/01 - De Iquique à San Pedro de Atacama: 485Km
  • 04/01 - Dia em São Pedro de Atacama
  • 05/01 - De San Pedro de Atacama à San Salvador de Jujuy: 475Km
  • 06/01 - De San Salvador de Jujuy à Corrientes: 867Km
  • 07/01 - De Corrientes à Santo Ângelo (RS): 585Km
  • 08/01 - De Santo Ângelo à Nova Petrópolis: 453Km

Observação: com este cronograma, que prevê o retorno para casa em uma 6ª feira (08/01/2010), teremos a disponibilidade de estender a viagem em algum lugar por até 1 dia, chegando assim em casa no sábado.

Preços da Gasolina no Mercosul:

  • Argentina: R$ 1,80
  • Bolívia: R$ 1,10
  • Brasil: R$ 2,59
  • Chile: R$ 2,62
  • Colômbia: R$ 1,70
  • Equador: R$ 1,05
  • Peru: R$ 2,50
  • Paraguai: R$ 2,70
  • Uruguai: R$ 3,00

Distâncias a percorrer em cada país:

  • 1.220 Km rodados no Brasil
  • 3.370 Km rodados na Argentina
  • 995 Km rodados na Bolívia
  • 1.735 Km rodados no Peru
  • 800 Km rodados no Chile

Dicas de alguns sites:

  • Levar cópias dos documentos pessoais e do veículo para apresentar em algumas Aduanas que exigem cópias dos documentos.

Dicas importantes para a viagem:

Mapas de GPS a serem utilizados:

  • Brasil: Tracksource
  • Argentina: Mapear
  • Bolívia: ConoSur (o Viajeros tem mais detalhes mas não é roteável)
  • Perú: Peru Roteable
  • Chile: Viajeros

Cotações de Moedas nos países que iremos visitar: base 13/12/09

  • Brasil: R$ 1,00 = US$ 0,57 ou US$ 1,00 = R$ 1,75
  • Argentina (pesos): R$ 1,00 = AR$ 2,16 ou AR$ 1,00 = R$ 0,46, ou US$ 1,00 = AR$ 3,79
  • Bolívia (boliviano): R$ 1,00 = BOB $ 4,01 ou BOB $ 1,00 = R$ 0,25, ou US$ 1,00 = BOB $ 7,03
  • Perú (novo sol): R$ 1,00 = PEN $ 1,64 ou PEN $ 1,00 = R$ 0,61, ou US$ 1,00 = PEN $ 2,88
  • Chile (pesos): R$ 1,00 = CLP $ 283,00 ou CLP $ 1.000,00 = R$ 3,52, ou US$ 1,00 = CLP $ 496,00

Encontramos na Web alguns sites com roteiros e fotos de viagens já realizadas:

Clique sobre o mapa para ampliá-lo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Laguna Verde - Divisa entre Chile e Bolívia

05/01/2010: De San Pedro de Atacama (Chile) seguimos em direção à Laguna Verde, distante 60Km e que já fica em solo boliviano. Deste trecho, aproximadamente 14Km são feitos por estrada de terra (trecho da Bolívia).

Como nossa intenção era sair de San Pedro de Atacama e retornar logo depois de conhecermos a Laguna Verde não fizemos a saída do chile na Aduana, fato que foi entendido pela Aduana boliviana que nos deixou passar sem dar a entrada na Bolívia.

A Laguna Verde fica atrás do Vulcão Licancabur, a aproximadamente 4.300mts. de altitude e faz parte da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa. O ingresso na Reserva custava 30 bolivianos até 31/12/2009 e agora passou para 150 bolivianos (aproximadamente US$ 22,00) por pessoa. Negociamos no local para que pagássemos apenas 1 ingresso por carro e não para cada pessoa, o que foi logo aceito.


A Reserva Nacional é muito grande, sendo que o Salar de Uyuni distante quase 300Km (em linha reta) da Laguna Verde ainda faz parte da reserva.

A Laguna Verde é um lago de águas salgadas que fica na província de Potosi, Bolívia, e o melhor horário para visitá-la é no horário do meio-dia.


Flamingos sobre os lagos


Migração boliviana


a estrada do lado chileno é ótima


foto oficial na Laguna Verde com o Vulcão Licancabur ao fundo


entrada na Reserva Nacional


Laguna Verde


Márcio e Léa aos 4.300mts. de altitude na Laguna Verde

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Consumo de combustível na Bolívia e Perú

Algo que tem nos deixado intrigados é o fato de que nossos 3 veículos (2 deles a gasolina e 1 a diesel) estarem fazendo médias de consumo muito diferentes do realizado no Brasil.

Como exemplo, no trecho entre La Paz e Cusco, enfrentando altitudes acima de 4.000mts, com trânsito engarrafado em La Paz e El Alto, muitas curvas antes de Copacabana e também de Cuzco, ainda acima verificamos consumo médio de 10,8Km/lt na Grand Vitara e na X-Terra, valores bem acima do que faríamos no Brasil, onde a Grand Vitara não passaria dos 9Km/lt.

Fica aí nossa dúvida: será o combustível brasileiro tão inferior ao combustível dos países hermanos ? Será que o efeito da altitude pode gerar consequência tão positiva aos veículos ?

Quanto à questão do combustível brasileiro, com exceção do Uruguai o Brasil possui o maior preço por litro de gasolina, sendo que na Bolívia, por exemplo, pagamos R$ 0,94 e no Perú R$ 1,50. Temos aí um duplo efeito em economia, além do combustível ser consideravelmente mais barato seu rendimento é bem maior.

Alguém tem algum palpite sobre o assunto ? Deixe seu comentário.

Viagem à Machu Picchu - De Copacabana (BOL) à Cuzco (PER)

27/12/2009 - Saímos de Copacabana por volta das 9h da manhã. A exemplo da entrada na Bolívia, o combustível em Copacabana era 100% maior do que o apresentado na bomba. Na bomba o valor era de B$ 3,74 e acabamos pagando B$ 7,48 sob o argumento de que em cidades de fronteira o imposto é maior para veículos estrangeiros.

Chegamos na Aduana Boliviana em Kanani, às 09:30h e os trâmites foram finalizados na Aduana Peruana às 10:30h. Nesta última encontramos afixado o adesivo da viagem feita pelo Xico Novak para Machu Picchu em Jan/08.





Adesivo da Expedição feita pelo Xico Novak



Na aduana do Perú mais uma vez nos exigiram a apólice da extensão de cobertura do seguro dos carros. Argumentamos que esta seria devida apenas para estadias no país superiores a 30 dias, mas logo percebemos que o policial da aduana queria um regalo (presente). Desta vez foi o Valmor que puxou a frente dando 2 bonés e uma camiseta amarela com logo da seleção brasileira, que minutos antes ele próprio autografara como "Ronaldo". Enfim estávamos liberados.

Fizemos câmbio de dólares para soles (moeda peruana) ali mesmo, no meio da rua, em uma tendinha que mais parecia uma banca de picolé.



"Casa de Câmbio"



No caminho para Puno fomos apreciando a vista do lago Titicaca que nos acompanhava ao lado direito.



Pouco depois de Ilave, pegamos um trecho de 20Km de asfalto bastante ruim. Chegamos a acreditar que esta seria uma realidade no Perú, mas por sorte o asfalto melhorou logo adiante.




Logo que cruzamos a fronteira Bolívia - Perú percebemos duas grandes mudanças: 1) não vimos mais crianças implorando por esmolas nas ruas; 2) passamos a ver pequenas propriedades com plantações e animais. Ao que tudo indicava teríamos uma viagem por um país mais próspero do que a Bolívia.




Chegamos em Puno às 13h e logo seguimos para o porto onde conheceríamos as Ilhas Flutuantes de Uros (haverá um tópico específico sobre esta visita que foi nota 10). Às 15:40h estávamos de volta à Puno, onde comemos truta no cais do porto.

Às 16:30h voltamos a pegar a estrada. Teríamos mais de 400Km para rodar ainda neste dia para chegarmos à Cusco.

Já as 17:10h passamos por Juliaca, cidade de 200 mil habitantes em que encontram-se as famosas motos Tuc-Tuc, no melhor estilo de Nova Dehli na Índia. Além das motos também bicicletas são utilizadas como táxi. O trânsito é bem conturbado no centro da cidade, apesar de ser domingo.



Por falar em domingo, neste dia completávamos 1 semana fora de casa, restando mais 2 semanas até retornarmos ao Brasil.

Próximo das 19h passamos ao lado do Pico Nevado Kunurana que tem altitude de 5.420mts.



Passamos por Abra La Raya, techo de percurso a 4.335mts. já à noite e naquele momento a temperatura externa era de 7 graus.

Chegamos à Cuzco às 22h e às 22:30h já estávamos no hotel no qual já tínhamos efetuado reserva anteriormente. Tivemos de deixar os carros em um estacionamento distante do hotel visto que no centro de Cusco além das ruas serem muito estreitas (sem lugar para estacionamento), onde passa apenas 1 carro por vez, também os prédios (e hotéis) não tem estacionamento.

Fuso Horário: até este momento de nossa viagem já temos uma diferença de horário em relação ao Brasil de 3 horas. A cada país em que passamos: Argentina, Bolívia e agora Perú, ajustamos nossos relógios para 1 hora a menos, totalizando então 3 horas.

Neste dia rodamos 530Km em 8 horas de viagem (não contando paradas e aduana), com uma velocidade média de 67,2Km/h.

Em quase toda nossa viagem neste dia, não baixamos de 3.800mts de altitude. Ao nos aproximarmos de Cusco enfrentamos muitas curvas, onde fomos serpenteando o Rio Urubamba que nasce na Abra La Raya e passa bem mais adiante por Águas Calientes em Machu Picchu.

Chegando em Cusco estávamos agora em praticamente 50% de nossa viagem, apesar de a volta ser mais comprida pois passaremos pelo litoral do Chile. Até aqui tínhamos rodado 3.900Km.

Isla do Sol e Copacabana (BOL)

26/12/2009 - Logo que chegamos ao Hotel Gloria em Copacabana, cidade de 25 mil habitantes, descobrimos que existem duas saídas diárias para a o passeio na Isla do Sol, ilha localizada no Lago Titicaca. Uma delas é às 08h da manhã e a outra às 13:30h.




O Titicaca (pronúncia Titi-háhá) é o lago navegável mais alto do mundo, com 3.812mts de altitude e faz a divisa da Bolívia e Peru. Aproximadamente 50% do lago pertence a cada um dos países.

A ilha tem 3 povoados: Yumani, o principal, no topo do morro ao sul; Challapampa, na costa norte, e Cha'lla, no centro-leste. Ao norte ficam as principais ruínas e as paisagens mais interessantes, enquanto o sul dispõe de maior infra-estrutura.









O passeio de barco saindo de Copacabana demora 1:30h e apesar de o dia estar ensolarado o vento frio nos assustou. Vale lembrar que a temperatura a 4.000mts de altitude é próxima dos 15 graus.

Na Isla del Sol vivem em torno de 3.500 pessoas cujo sustento é a agricultura, pesca e o turismo. A ilha tem 11Km de comprimento por 8Km de largura.



Para conhecer as atrações é necessária boa disposição para os mais de 400 degraus da escadaria existente na ilha.




Retornamos para o Hotel já por volta das 18h e à noite jantamos no restaurante do próprio hotel.

No dia 27/12 pela manhã conhecemos em Copacabana a Plaza 2 de Febrero, que tem à seu redor a Catedral de la Virgen de la Candelária, um dos mais exuberantes entre os grandes templos religiosos da Bolívia. O interior da igreja é realmente muito lindo, sendo concorrente à linda igreja de Salta na Argentina.




Nativo com a boca "entupida" de folhas de coca




Conhecemos também o Cerro Calvário, onde, ao longo de uma trilha que leva ao topo do morro, 14 cruzes marcam as estações da Via Crucis.




Copacabana seria a última cidade da Bolívia a ser conhecida por nós, daí entraremos no Perú.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Viagem à Machu Picchu - De La Paz (BOL) à Copacabana (BOL)

26/12/2009 - Saímos de La Paz por volta das 09h e nosso destino seria Copacabana, nas margens do Lago Titicaca, o Lago navegável mais alto do mundo.

Copacabana seria também a última cidade que ficariamos na Bolívia, ingressando no Perú no dia seguinte. Podemos dizer que com exceção da visita à Mina Cerro Rico em Potosi e ao Pico Chacaltaya não sentiremos saudades da Bolívia. A pobreza do país é digna de seu título: o mais pobre da América do Sul. Percebemos da população um grande amor por seu presidente Evo Moralles, representante do povo que foi reeleito dias atrás para mais 5 anos de mandato com 64% de aprovação.

A pobreza da Bolívia acreditamos tenha relação direta com sua geografia. Durante todos os dias que estivemos no país estivemos a uma altitude média acima de 3.500mts, onde preaticamente não existe vegetação, árvores e água. A herança indígena também é muito forte, dando a entender que como nos últimos 400 anos a população sempre viveu assim, outros 400 anos podem ser vividos da mesma forma.

Ao sair de La Paz, mais uma vez tivemos de enfrentar o trânsito infernal de El Alto, digno de uma cidade indiana, onde vale tudo, com a única diferença que na Índia existem vacas cruzando na pista e que os táxis Tuc-Tuc lá existentes dão lugar às Vans aqui na Bolívia, milhares delas.



No trecho que percorremos percebemos grandes filas nos Postos de Combustível motivadas pela falta de gasolina. Vimos inclusive um outdoor divulgando a transformação gratuíta dos carros para combustível à gás. Conseguimos avastecer no máximo B$ 50,00, algo em torno de 15 litros.

Seguimos em direção à Tiquina, já às margens do Lago Titicaca, onde pegaríamos uma balsa que faria a travessia do Lago para após chegarmos à Copacabana. Mais uma vez encontramos muitas crianças na estrada pedindo dinheiro.
Crianças correndo para pedir esmolas



Balsa às margens do Lago Titicaca


Chegamos no Hotel Glória, da mesma rede do hotel que ficamos em La Paz, às 13h e às 13:30h já iniciaria nosso passeio até a Ilha do Sol.

Ruta de La Muerte - Coroico (BOL)

25/12/2009 - A maioria das pessoas já viu imagens enviadas via email da Ruta de La Muerte, localizada entre La Paz e Coroico na Bolívia.

São imagens que demonstram grandes precipícios e túneis cavados nós morros, local em que os carros ficam à beira de cair.


Este foi nosso destino após visitar o Pico Chacaltaya.

Eram 15:30h quando cruzávamos La Paz com a Van alugada para seguir em direção à Coroico. Mais uma vez subestimamos o tempo de deslocamento em estradas a grandes altitudes (passamos o tempo todo viajando acima dos 4.000mts) e também de muitas curvas.


GPS indicando 4.625 metros de altitude


Chegamos ao início da Ruta de La Muerte às 17:15h e ali percebemos de nosso guia que ele não tinha certeza de que veríamos o que estávamos procurando (as imagens mencionadas acima). Como já estávamos cansados decidimos por voltar ao Hotel, onde chegamos pouco depois das 19:30h.


La Cumbe, a 4.800mts. de altitude



Esta imagem não chegamos a ver pois havia neblina em La Cumbe





Apesar de não termos concretizado nosso desejo de conhecer a Ruta de La Muerte, apreciamos a vista diferenciada do local, onde mesmo estando a mais de 4.000mts estávamos rodeados de grandes morros que deviam tem em torno de 5.000mts de altitude.

O local mais alto que chegamos neste percurso foi 4.800mts em La Cruce.

Apesar de fazermos menção constantemente das altitudes locais, não vemos a hora de voltar a ficar em algum lugar mais próximo do nível do mar, apesar de que isto ocorrerá somente daqui há uns 7 dias. Nossos organismos não estão na melhor de suas fases. A cada dia temos algum de nossos integrantes passando pelos impactos da altitude.

Pico Chacaltaya (BOL)

25/12/2009 - Apesar de termos visto reportagem na Rede Globo, no programa Fantástico, dizendo que já fazem mais de 10 anos que não nevava no Chacaltaya ficamos sabendo antes de nossa saída do Hotel que havia nevado no local nós últimos dias.

O Pico Chacaltaya já foi a estação de sky mais alta do mundo, a 5.300mts de altitude, e agora pela redução das chuvas na Bolívia a estação de sky já não funciona mais. Aproveitando o assunto, a Bolívia enfrenta um grande problema em sua infra-estrutura: a falta de água. Praticamente não encontramos na Bolívia postos de combustível (dos poucos que existem) que tivessem água. Os banheiros sempre estavam imundos e nossa preferência passou a ser fazer as necessidades na estrada.

Saímos em direção ao Chacaltaya às 12:30h em uma Van alugada por nós. Assim conseguimos ficar todas as 11 pessoas no mesmo veículo.


O acesso ao Pico não é dos mais fáceis e o motorista da Van procurou evitar trechos de congestionamento, passando por bairros de periferia. 45 minutos depois chegaríamos no acesso ao Chacaltaya, de onde ainda teríamos 16Km de estrada de terra em péssimas condições, onde normalmente passa apenas 1 carro por vez.


O Pico Chacaltaya está localizado na Cordilheira Real e fica ao lado do Huana Potosi, pico com 6.088mts de altitude e que estava coberto de neve.


As 13:45h chegamos no alto do Chacaltaya, a 5.300mts de altitude. Este seria o ponto em que atingiríamos a maior altitude em nossa viagem. Estava muito frio no alto do Pico, devendo a temperatura estas próxima ou abaixo de zero.






Foi neste momento que fomos abençoados: começou a nevar. Foi nosso presente de Natal. A neve perdurou um bom tempo e quando estávamos descendo o Pico, concluindo nossa visita, ainda estava nevando.




Do Chacaltaya seguimos em direção à La Paz, de onde iríamos conhecer a Ruta de La Muerte.



Seguidores